Polícia

Réu por matar motoentregador, Bruno diz não se lembrar de tiro à queima-roupa: 'só vi que ia morrer'

Emerson foi assassinado com dois tiros, sendo um deles na cabeça enquanto estava caído no chão

Thatiana Melo e Gabriel Neves Publicado em 24/09/2021, às 10h58

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(Henrique Arakaki, Midiamax)

Chorando e pedindo desculpas, Bruno César de Carvalho, disse durante seu julgamento nesta sexta-feira (24), em Campo Grande, não se lembrar do tiro à queima-roupa dado na cabeça de Emerson Salles da Silva, que foi assassinado em uma lanchonete, na Avenida Mato Grosso, em 2020. 

Bruno revelou que o colega de trabalho sempre fazia chacotas com ele,  chamando-o de viado, e que não entendia por que Emerson achava que ele era homossexual. Ele ainda disse que, no dia do crime, o motoentregador teria dito a ele, “de hoje não passa”. 

Sobre a arma usada no crime, Bruno revelou que a comprou 18 meses antes do assassinato para se proteger durante seu trabalho, e que no dia da briga que acabou em morte havia mostrado o revólver para Emerson para tentar intimidá-lo, mas que, ao guardar a arma, a vítima foi atrás dele.

Ele ainda disse que Emerson teria afirmado que entregaria seu corpo para sua mãe, com isso, os dois começaram a brigar e foi nesse momento que fez os disparos. Quando questionado sobre o tiro na cabeça, ele disse: "Eu não me lembro, foi muito rápido, só vi que ia morrer, que ia apanhar, não sei explicar para os senhores".

Antes do começo do julgamento, o advogado afirmou que a expectativa era sair com Bruno livre do julgamento desta sexta (24). “Ele (Bruno) é uma pessoa boa, e o único erro foi conhecer o Emerson”, falou. Alex ainda relatou que foi feito um documento com 500 assinaturas de moradores das Moreninhas para que Bruno fosse solto. 

Briga no WhatsApp

Conforme inicialmente apurado pela polícia, em uma das conversas, Emerson manda um áudio para Bruno falando sobre não ter gostado que ter de trabalhar no seu lugar, já que o autor teria mandado arrumar a motocicleta. Em resposta, Bruno diz em uma das mensagens: “Larga mão de ser c*, vai trabalhar, eu preciso arrumar minha moto”.

Em seguida, outra mensagem é enviada por Emerson a Bruno: “Vamos ver se você é bravo mesmo, fodão”. O autor responde: “Só reclama, aqui não é Corumbá, não”.

Os dois continuam trocando ofensas e no dia do crime acabam entrando em vias de fato, trocando socos na lanchonete na Avenida Mato Grosso. Eles chegam a ser separados por funcionários, mas voltam a brigar e Bruno vai até a mochila e retira o revólver, avisando que está armado.

Assassinato x imagens

Em seguida, pelas imagens divulgadas, é possível ver quando Bruno faz disparos contra Emerson, que se agarra à pilastra da lanchonete e cai no chão, sendo que neste momento o autor se aproxima e faz um disparo contra a cabeça de Emerson, que chega a ser socorrido, mas morre na Santa Casa.

Conforme as informações policiais, uma funcionária do local entrou em desespero e pede para que Bruno não atire contra Emerson, que ainda está vivo, mas de nada adianta. 

Um dia antes do crime, na quarta-feira, Bruno teria levado a motocicleta para arrumar e, por isso, avisou que Emerson trabalharia sozinho. Assim, os dois já tiveram uma primeira briga, em que trocaram xingamentos. Já na noite do crime, o autor estava conversando com um funcionário da lanchonete e perguntou se era Emerson quem iria lá. “Tomara que ele nem venha, se não ele vai ter o dele”, teria ameaçado o colega, momentos antes de Emerson chegar ao serviço.

Assim, logo que Emerson chegou, ele e o colega iniciaram a discussão e depois começaram a se agredir. Com isso, os dois teriam trocado socos e ainda foram ‘apartados’ pelas pessoas que estavam ali, mas brigaram novamente.

Foi então que o entregador sacou a arma de fogo, que não se sabe ao certo se estava na cintura ou na mochila. Neste momento, ele fez os primeiros disparos e a dona da lanchonete implorava para que ele não matasse Emerson, conforme os relatos policiais. Mesmo assim, ele deu mais um disparo na cabeça da vítima. Essa questão também é rebatida pela defesa de Bruno, que afirma que a proprietária do estabelecimento só chegou ao local após o crime.

Jornal Midiamax