Polícia

Ex-comandante da PM foi flagrado por câmeras de segurança em extorsão, diz Garras

Coronel aposentado teria dito que precisava de R$ 1,5 mil para 'pagar condomínio'

Thatiana Melo Publicado em 27/05/2021, às 07h36

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Coronel Ivan acompanhado do corregedor-geral - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

O ex-comandante da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) o coronel José Ivan de Almeida preso pelo crime de extorsão, nesta quarta-feira (26) por policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) disse que estava recebendo pela ‘cobrança’ o valor de R$ 2 mil, e segundo fontes policiais, o coronel teria dito que o valor seria para pagar o condomínio onde mora, de R$ 1.500. No entanto, a defesa nega a suposta afirmação. O Coronel já foi levado para o Presídio Militar de Campo Grande nesta quarta (26).

Informações passadas aos Jornal Midiamax são de que o coronel já havia participado de uma outra extorsão a vítima dias antes e uma segunda tentativa de extorsão nesta quarta (26), quando foi preso em flagrante pelo crime. A vítima tinha câmeras na casa e acabou filmando a extorsão praticada pelo coronel e pelo policial civil Reginaldo Freitas Rodrigues, fazendo a denúncia ao Garras e Gaeco.

Um terceiro envolvido já foi identificado e deve ser preso nos próximos dias. José Ivan é aposentado e recebe R$ 32 mil. Ele é apontado como braço armado do esquema de extorsão agindo com ameaças e coagindo as vítimas, que eram coagidas há pelo menos 1 ano.

Os empresários teriam feito um negócio com Patrick e teria sido gerada a dívida de R$ 80 mil. As vítimas foram cobradas, pagaram R$ 150 mil e continuaram sendo extorquidas. Atualmente, Patrick estaria cobrando mais de R$ 300 mil dos empresários, que acabaram levando o caso ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Durante a prisão do coronel, as equipes fizeram buscas na casa do militar, onde teria sido apreendido um revólver calibre 38. Na casa de Patrick também teriam sido apreendidas armas de fogo.

A defesa

A defesa do coronel Ivan alega que não houve ameaça ou extorsão e que o oficial teria feito a cobrança após Patrick pedir o ‘favor’. Para o advogado Ronaldo Franco, o cliente disse que o credor, o dono do dinheiro que também foi preso, teria pedido um favor a ele para que fosse até o devedor fazer a cobrança. No entanto, ele alega que agiu de maneira ‘amigável’, sem ameaças nem extorsão, crimes pelo qual o coronel foi preso em flagrante.

Também conforme a defesa, o coronel teria orientado o devedor a resolver a situação entre advogados dele e do credor. Por ser oficial da reserva, o policial será encaminhado para o Presídio Militar e passa por audiência de custódia na quinta-feira (27). O advogado acredita que ele deve ser liberado, mediante aplicação de medida cautelar.

José Ivan de Almeida integrou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul por mais de 20 anos. Ele comandou a corporação pelo período de 2001 a 2006, durante o governo de Zeca do PT. Atualmente, o militar recebe mensalmente R$ 32.940,62, conforme informação do Portal da Transparência. Conhecido como Coronel Ivan, ele foi eleito para seu primeiro mandato de deputado estadual com 11.980 votos em 2006, tendo sido votado em todos os 78 municípios de Mato Grosso do Sul. Nas eleições seguintes em 2010 não conseguiu se reeleger sendo nomeado no governo André Puccinelli.

Jornal Midiamax