Polícia

Para advogado, marido morto por PM em 2016 era abusivo e ela agiu em legítima defesa

Tenente-coronel Itamara Romeiro vai a júri nesta quarta-feira

Renata Portela e Thatiana Melo Publicado em 22/06/2021, às 14h21

Itamara e o advogado José Roberto Rosa no dia do julgamento militar
Itamara e o advogado José Roberto Rosa no dia do julgamento militar - (Arquivo, Midiamax)

Um dia antes do julgamento, o advogado José Roberto da Rosa, que atua no caso da tenente-coronel da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Itamara Romeiro Nogueira, confirmou que seguirá a linha de que ela agiu em legítima defesa. A militar é acusada da morte do marido Valdeni Lopes Nogueira, também policial militar, em 2016.

Conforme o advogado, há provas de que Itamara estava em um relacionamento abusivo e possessivo, e estas serão mostradas ao júri na quarta-feira (23). Para a defesa, Valdeni era um homem ciumento e agredia a esposa, mesmo tendo uma vida boêmia e mantendo outros relacionamentos extraconjugais, como já relatado no decorrer do processo por testemunhas.

Para Rosa, Itamara agiu naquele dia em legítima defesa. “É a mulher que reagiu para não ser mais uma nas estatísticas, para não ser mais um número do feminicídio”. Também segundo o advogado, há provas de que a policial foi agredida pelo marido no dia do crime. “Se ela não agisse como agiu, seguramente seria morta”, afirmou.

O julgamento acontece 4 anos e 6 meses após o crime e, para este júri, foram impostas algumas regras. Foi limitada a presença de 10 pessoas em plenário, sendo cinco familiares da oficial e cinco da vítima. Está proibida a entrada de pessoas usando roupas que possam influenciar os jurados durante o julgamento de Itamara, como também está limitada a entrada da imprensa no plenário. Dois policiais devem fazer a segurança no local.

O esquema montado é devido à grande repercussão que o caso tomou na época, quando a oficial matou o marido na garagem de casa a tiros, durante uma discussão.

Julgamento pelo Conselho Militar

Foi decidido no dia 6 de novembro de 2019, pelo Conselho Militar que a tenente-coronel Itamara Romeiro Nogueira acusada de matar a tiros o marido deveria ser reformada administrativamente, o que significaria uma aposentadoria compulsória.

A oficial foi julgada por três coronéis do Conselho da Polícia Militar, que parcialmente chegaram à conclusão após analisarem os 27 anos da carreira de Itamara, a dinâmica dos fatos e os relatos de testemunhas. Assim, a tenente deveria ser reformada administrativamente, não podendo mais voltar às suas funções, diferente da reserva, em que o oficial pode voltar.

Relembre o crime

Durante uma briga, a tenente-coronel efetuou dois disparos contra o marido. O major Nogueira chegou a ser levado para a Santa Casa com um ferimento do tórax, mas não resistiu. Em dezembro de 2016 a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o homicídio e comprovou a versão apresentada por Itamara, a de legítima defesa.

Para a polícia, a policial, que chegou a participar de uma reconstituição do crime, afirmou estar sendo agredida pelo marido e que no momento em que ele saiu para buscar a arma no carro, ela reagiu. No dia do crime, Itamara foi presa em flagrante, mas acabou liberada logo em seguida e, desde então, responde o processo em liberdade.

Jornal Midiamax