Polícia

Mãe e filho passam por interrogatório sobre morte e esquartejamento de chargista

Corpo da vítima foi colocado em malas e queimado

Renata Portela Publicado em 17/05/2021, às 18h36

Local onde corpo da vítima foi encontrado
Local onde corpo da vítima foi encontrado - (Arquivo, Midiamax)

Nesta segunda-feira (7), passaram por audiência e interrogatório Clarice Silvestre de Azevedo, 44 anos, e o filho João Victor Silvestre de Azevedo, de 21 anos. Os dois são acusados da morte, esquartejamento e ocultação de cadáver do chargista Marcos Antônio Rosa Borges, crime ocorrido em novembro de 2020.

A audiência foi presidida pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri e teve início às 14 horas. Também participaram a promotora Livia Carla Guadanhum Bariani, Clarice e o filho João Victor e o defensor público Gustavo Henrique Pinheiro Silva. Foram gravados depoimentos de duas testemunhas de Clarice e uma testemunha de João Victor.

Também foram gravados os interrogatórios, feitos por videoconferência. Foi solicitado pelo magistrado o laudo do incidente de sanidade mental, solicitado pela defesa de Clarice em março deste ano. No decorrer do processo, as partes devem apresentar as alegações finais, para que os réus passem por julgamento.

Insanidade mental

A defesa incluiu no pedido, para alegar insanidade mental da ré, parecer médico de uma psicóloga que atendeu Clarice no presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. A médica relata que a ré tem dificuldade de estabelecer contato ativo com a realidade, sente culpa e vergonha.

Também é considerada “condição psicológica primitiva”, afirmando que a massagista tem uma impulsividade associada à falta de amplitude interpessoal, impulsos agressores e hostis. A defesa chega a pedir a absolvição ou impronúncia da ré, mas tais fatos ainda não foram decididos pelo magistrado.

Homicídio e ocultação de cadáver

A denúncia foi apresentada em 2 de janeiro pelo MPMS. Conforme o relato, na manhã de 21 de novembro de 2020, Clarice matou Marcos na casa, no Bairro São Francisco. Com a ajuda do filho João Victor, ainda destruiu e ocultou o cadáver da vítima.

O relato na denúncia é de que Marcos era cliente da massagista Clarice e mantinha um relacionamento amoroso com ela. No entanto, ele não queria assumir a relação oficialmente, o que incomodava Clarice. No dia do crime, eles combinaram uma massagem e a vítima foi até a casa da autora.

Após a massagem, Marcos foi tomar banho na parte de cima da casa de Clarice. Ao sair, os dois começaram a discutir sobre o relacionamento e Clarice empurrou a vítima da escada. Em seguida, esfaqueou o chargista, o atingindo nas costas e tórax. A denúncia aponta que Marcos permaneceu agonizando no local e Clarice colocou um lençol sobre o corpo dele.

Ela saiu para comprar sacos de lixo, já com a intenção de ocultar o cadáver da vítima e ligou para o filho. O rapaz foi até a casa da mãe e os dois cortaram o corpo de Marcos em várias partes, lavaram e colocaram em sacos e depois em malas de viagem. Mãe e filho levaram o corpo da vítima até o Jardim Tarumã, após pedirem corrida por um aplicativo.

Eles esconderam as malas, esperaram até a madrugada e atearam fogo. Clarice saiu da cidade e só foi presa em São Gabriel do Oeste. Após a prisão, ela confessou que agiu por ódio vingativo e ciúmes da vítima, porque queria que o relacionamento fosse oficializado.

Clarice foi denunciada por homicídio triplamente qualificado, por meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além da destruição e ocultação de cadáver. O filho foi denunciado pela destruição e ocultação de cadáver.

Jornal Midiamax