Polícia

'Tenho medo de andar na rua': o drama de quem convive com assaltos e invasões no Jardim das Macaúbas

Para quem vive no bairro de Campo Grande, insegurança faz parte da rotina

Ranziel Oliveira Publicado em 28/07/2021, às 13h30

Com medo, morador reforçou as medidas de segurança
Com medo, morador reforçou as medidas de segurança - (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

No bairro Jardim das Macaúbas, região sul de Campo Grande, o direito de ir e vir dos moradores tem ficado de lado em razão do medo imposto pela insegurança. De noite e até de dia, os assaltos e invasões de residências se tornaram constantes, tornando a rotina de quem vive no bairro mais difícil e desafiadora. 

Para manter a segurança e evitar represálias, a pedido dos moradores, o nome dos entrevistados será omitido nesta reportagem. Em uma rotina constante de medo, uma moradora de 34 anos, já teve a sua casa invadida por várias vezes. “Já roubaram a bomba do meu poço por três vezes em uma semana e arrobaram a minha casa duas vezes”, disse ela.

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Moradores tem medo de andar nas ruas do bairro em plena luz do dia (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

Além dos furtos, a situação fica mais complicada para quem depende do transporte coletivo, ou anda a pé pelo bairro. “Minha mãe saiu para trabalhar cedo e o povo estava roubando com arma no ponto de ônibus. Esses tempos, duas moças estavam subindo a rua e foram roubadas por dois homens em uma moto, um deles estava armado. Isso foi às 9h da manhã”.

Com um alto índice de violência, a moradora teme pela segurança dos filhos, os impedindo de sair de casa. “Me sinto vulnerável, eu tenho uma criança pequena e não deixo ela sair. Teve um homem que correu atrás de criança para estuprar. Outro dia, um ficou na beira do matagal e ficou chamando o filho do meu primo”.

Reféns do crime 

Para o autônomo de 50 anos, a sensação de insegurança no bairro é constante, com relatos de invasão à residência de diversos vizinhos. “Os três moradores aqui da frente já tiveram a casa furtada. Fica pior no dia das mães e no final do ano, quando tem saidinha dos presos. A gente não sai de casa. Me sino refém, nós não podemos deixar a casa sozinha. Falta polícia”.

Com mais de 10 anos vivendo no bairro, uma dona de casa, de 52 anos, tem a certeza que as ruas são lugares perigosos e dominados pelo medo. “Nós não podemos ficar na frente de casa. Nem meu celular eu carrego quando saio, direto tem assalto. Já arrombaram minha casa duas vezes e assaltaram meu genro no portão de casa, a luz do dia”, afirma.

A ação dos criminosos é intensa e a região tem ficado cada vez mais violenta. “Duas senhoras faziam caminhada pela manhã. Dois homens se aproximaram e anunciaram o assalto, elas falaram que não tinham nada, eles começaram a procurar e apalpar as duas com agressividade, isso gera uma revolta. A gente se sente inseguro, eu tenho medo de andar na rua”, disse ela.

O que diz a Polícia Militar 

A assessoria de comunicação da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) informou que o questionamento dos moradores sobre falta de segurança foi repassado ao Comandante do 10º Batalhão de Polícia Militar, Unidade responsável pelo policiamento no Jardim das Macaúbas.

Além disso, o órgão ressaltou que o policiamento foi reforçado em toda a Capital, através do lançamento do Programa OCOP (Obtenção de Capacidade Operacional Plena), que potencializou o patrulhamento na Capital com mais 48 novas viaturas entregues pelo Governo do Estado.

Na área do 10º BPM foram lançadas oito viaturas a mais, por dia, para o atendimento da comunidade. Sendo assim, as ações preventivas serão contínuas e tempo resposta célere aos chamados via 190.

Jornal Midiamax