Polícia

Com pedido de prisão negado, mas indícios de estupro, polícia conclui caso do HRMS

Agora denúncia será encaminhada ao Poder Judiciário

Thatiana Melo Publicado em 27/07/2021, às 11h52

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(Arquivo)

Foi encerrado e enviado ao Poder Judiciário, nesta terça-feira (27), o inquérito sobre o crime de estupro cometido por um técnico de enfermagem contra uma paciente internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. O crime ocorreu em fevereiro deste ano e a mãe da vítima procurou a delegacia para registrar a ocorrência.

De acordo com a delegada Maíra Machado, várias testemunhas foram ouvidas, um total de nove, como também a própria vítima, que teve as roupas periciadas. Ainda durante a investigação, a vítima reconheceu o autor do crime. 

Foi feito o pedido de prisão preventiva do autor pela especializada, após vários indícios do estupro, mas foi negado, sendo encaminhado o caso para o Poder Judiciário. 

O estupro

A vítima estava internada por conta do coronavírus (Covid-19), quando, na madrugada do dia 5 de fevereiro deste ano, foi violentada por um enfermeiro. Alegando que iria passar um óleo pelo corpo dela, sob a justificativa de que iria melhorar a respiração e evitar lesões, o homem a violentou. Primeiro, espalhou a substância pelas costas dela e em seguida começou a tocá-la nas partes íntimas. Mesmo sem forças, ela reagiu e se debateu.

Em seguida, o autor saiu do quarto. A vítima conta que se sentiu constrangida, principalmente porque tinha medo de que não acreditassem na história. “Não é fácil denunciar, porque o julgamento das pessoas é pesado demais. Ouvi de médicas e enfermeiras que questionavam se eu não estava delirando. Me senti invisível. Ninguém tem direito de me tocar. Meu corpo não estava ali para ele brincar”, afirmou ela na delegacia.

Quando os abusos começaram, ela fez o possível para se defender. “Tentei me jogar da cama e fazer barulho [para chamar atenção]. Estávamos no sétimo andar e tinha grade na janela, mas a vontade que tinha era de me jogar de lá, para que ele não continuasse. Tive medo de que subisse em mim. A senhora que estava na cama do lado estava apagada [por isso não ouviu]”.

Histórico de abusos 

Depois de denunciar o caso, a paciente teria sido informada por funcionários do hospital que o suspeito tinha histórico de abusos, motivo pelo qual não era bem-visto. Os relatos são de que ele supostamente havia sido demitido de outros dois hospitais, sendo um deles por conduta indecorosa e o outro por justa causa. “Teve enfermeiras que vieram escondidas para dizer que já conheciam e que ele já tinha histórico”.

Na época do crime, a mãe da paciente disse acreditar em mais vítimas. “Eu acredito que haja mais vítimas, porque a gente começou a receber várias mensagens anônimas de que deveríamos levar a denúncia adiante. Não sei se minha filha foi a primeira ou a segunda a ser abusada, mas espero que seja a última e que a justiça seja feita”, havia dito a mãe, momentos antes de entrar para depor.

Jornal Midiamax