Polícia

Com casas sem muro e terreno que tem até carro abandonado, moradores das Moreninhas convivem com queimadas há décadas

Os que ainda permanecem no local, reclamam da rotina durante dias de tempo seco

Danielle Errobidarte e Ranziel Oliveira Publicado em 07/06/2021, às 14h13

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(Foto: Leonardo de França)

Durante incêndio na tarde desta segunda-feira (7), moradores das Moreninhas 2 reclamam de incêndios constantes em uma área de mata, de cinco hectares, entre as ruas Alto da Serra e Ipamerin. O dilema perpassa décadas, e as famílias que moram na fileira de casas ao fundo da vegetação, ou possuem comércios ao redor, lembram de vizinhos que se mudaram, devido aos problemas causados pelas queimadas.

Diego Laerte, de 22 anos, trabalha com o avô em lava jato na Rua Alto da Serra, próximo à vegetação. Segundo ele, os incêndios são frequentes, e os dois costumam utilizar as mangueiras para amenizar as chamas, até a chegada do Corpo de Bombeiros. “Toda vez o fogo vem, mas hoje foi pior, chegou perto do lava-jato. A gente não tem o que fazer, já é a terceira vez que vejo isso acontecer”, desabafa.

A aposentada Valentina Vilalba, de 69 anos, morou na região durante 25 anos. Cansada de ter a residência invadida por fumaça, ela afirma que outros vizinhos também mudaram da região. “Antes quando tinham mais casas aqui não aconteciam tantas queimadas, mas agora as pessoas saíram para irem para casas populares do governo”, afirma.

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(Foto: Leonardo de França)

A doméstica de 30 anos Elaine Cristina, relata que a cada novo incêndio no terreno precisa correr com os cinco filhos para evitar que as crianças tenham problemas de respiração ou que sua casa seja atingida pelas chamas. “A fumaça não deixa nem a gente passar pela rua. Quando vi, os vizinhos já estavam jogando água e não sabia o que tinha acontecido. Me sinto humilhada de correr com meus filhos pela rua. E se acontecer algo com eles enquanto estou no trabalho?”, questiona.

Elaine mora com os cinco filhos em uma residência sem muro ou cercas, também na Rua Alto da Serra. Segundo o tenente Rodrigo Araújo, do Corpo de Bombeiros, cerca de 1/3 da área já foi queimada. Os militares usaram 4 mil litros de água, e fizeram o resfriamento em torno das casas, após o combate às chamas. “A preocupação maior era com as residências. O fogo já está controlado, saindo fumaça apenas de pequenos pontos já com a vegetação já queimada”, afirma.

Confira o vídeo:

Jornal Midiamax