Polícia

Basta: pandemia forçou convivência, mas zerou tolerância e feminicídios em Campo Grande

Delegadas afirmam que, logo de cara, mulheres procuraram delegacia e afastaram agressores do lar

Thatiana Melo e Dayene Paz Publicado em 28/04/2021, às 07h10

Em Campo Grande, números apresentam avanço no combate à violência contra mulher
Em Campo Grande, números apresentam avanço no combate à violência contra mulher - Foto: Leonardo de França, Midiamax

Com zero feminicídios em Campo Grande nestes primeiros quatro meses do ano de 2021 e em plena pandemia, a explicação que fica para as delegadas da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) é de que, logo de cara, elas denunciaram o agressor, afastando-o de casa e também de um dano maior às suas vidas.

Essa é sondiderada uma medida essencial para quem se relaciona com um homem e descobre, tempos depois, que ele bate, xinga e se descontrola com facilidade: sinais de alerta para uma pessoa que pode vir a causar um mal maior na família. O momento certo de denunciar e se afastar. No entanto, essa não é a mesma realidade do restante do Estado, já que no interior de Mato Grosso do Sul foram registrados 10 feminicídios até agora sendo o último de Viviane Oliveira de 36 anos, que foi assassinada com 20 facadas pelo marido, que acabou preso.

Convivência forçada

Nem mesmo a convivência forçada durante a pandemia intimidou mulheres, que resolveram dar um basta em seus relacionamentos abusivos onde suas vidas eram controladas por companheiros que as viam como de sua posse. Tanto é verdade, que o maior registro de ocorrências na Deam é do crime de ameaça.

Isso mostra que no primeiro sinal de violência que seja, psicológica ou física, mais mulheres estão procurando ajuda. Neste ano já foram registrados 1.220 boletins de ocorrência de ameaça. O crime de lesão corporal figura no segundo lugar da lista, com 417 boletins registrados.

De acordo com a delegada Fernanda Félix, a mulher precisa procurar ajuda nos primeiros sinais, e só assim, vai poder sair viva de um relacionamento que pode caminhar para um feminicídio.

O ano de 2020 foi o mais sangrento para as mulheres sul-mato-grossenses, onde 40 perderam suas vidas ao serem mortas por companheiros, sendo que em Campo Grande foram 12 feminicídios. A delegada ainda afirma que a Deam tem todo um aparato para receber as vítimas de violência doméstica funcionando 24 horas.

Interior x feminicídio

Viviane Oliveira de Jesus, de 36 anos, foi morta com 20 facadas pelo marido no dia 25 deste mês, em Sonora, município distante 351 quilômetros de Campo Grande. O crime teria sido cometido durante uma discussão envolvendo pedido de senha de cartão bancário. O autor foi preso em flagrante.

Jadir Souza da Silva de 51 anos acusado de matar a professora Telma Ferreira Rabero de 44 anos a pauladas e machadadas, no dia 11 deste mês em Sidrolândia a 70 quilômetros de Campo Grande ainda é procurado pela polícia, que está tendo ajudada Inteligência da Polícia nas buscas pelo homem. O filho de 10 anos de Telma estava na casa quando o crime aconteceu.

Jornal Midiamax