Polícia

Ar-condicionado de delegacia onde Fahd pode dormir passa por manutenção

Empresa foi chamada no início da tarde

Renata Portela e Ranziel Oliveira Publicado em 19/04/2021, às 15h58

Técnicos estiveram na delegacia nesta tarde
Técnicos estiveram na delegacia nesta tarde - (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Na tarde desta segunda-feira (19), empresa de assistência de ar-condicionado foi chamada para manutenção no aparelho da cela em que está preso Fahd Jamil, no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros). Detido nesta manhã após se entregar à polícia, Fahd alega problemas respiratórios e tenta prisão domiciliar.

Enquanto a equipe de reportagem estava na sede do Garras, funcionários de empresa de assistência em ar-condicionado chegou ao local. A princípio, foi apurado que os técnicos foram chamados para fazerem manutenção no ar-condicionado da cela de Fahd Jamil. Não há informação se eles foram acionados pela polícia ou pela defesa do empresário.

Os advogados de Fahd tentam prisão domiciliar para o réu, que responde a processos no âmbito da Operação Omertà. Foragido desde o ano passado, ele alega problemas respiratórios. Segundo o advogado Gustavo Badaró, a decisão de Fahd se entregar teria ocorrido “da noite para o dia”, após ele apresentar piora no quadro de saúde.

Ameaças e exame

Para segurança dos próprios policiais civis, Fahd passou pelo exame de corpo de delito do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) na delegacia. Também, porque na segunda-feira o prédio do Imol costuma estar com maior lotação de presos passando pelos exames, por conta das prisões do final de semana.

Fahd estaria sob ameaça do PCC (Primeiro Comando da Capital), pela disputa de comando na região de fronteira, onde o empresário por anos foi imagem forte. Fahd estava foragido desde a terceira fase da Omertà, em junho de 2020. O filho, Flavinho, que também está foragido, não se apresentou junto com o pai, que se entregou à polícia na manhã desta segunda-feira (19) no Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande.

Em uma carta divulgada pelo Fahd, ele diz que não tem antecedentes criminais, que está doente e sob perseguição de criminosos, e ainda fala que sempre colaborou com o equilíbrio da segurança na fronteira.

Omertà III – Armagedom

O objetivo da terceira fase da Omertà foi de desbaratar organização criminosa atuante em Mato Grosso do Sul, especialmente na região de fronteira, dedicada à prática dos mais variados crimes. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), são crimes como tráfico de armas, homicídios, corrupção e lavagem de dinheiro.

Com isso, naquele dia 18 de junho foram cumpridos pelo Garras, com apoio do Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e GPA (Grupo de Policiamento Aéreo) 18 mandados de prisão preventiva e 2 mandados de prisão temporária. Também houve 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Ponta Porã, Ivinhema e, com o apoio do Gaeco de São Paulo, em Peruíbe.

Jornal Midiamax