Polícia

Publicações de crimes nas redes sociais já levaram até a desarticular quadrilhas

Para delegado as postagens têm ajudado a elucidar outros crimes

Mariana Rodrigues Publicado em 18/02/2018, às 11h50

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Para delegado as postagens têm ajudado a elucidar outros crimes

O Facebook deixou de ser apenas uma ferramenta para encontrar e fazer novos amigos, muitas pessoas têm usado a rede social para alertar sobre roubos e furtos, a intensão é a de recuperar pertences que foram levados pelos bandidos e evitar receptações. Esses tipos de postagens, que na maioria são sobre carros, motos, celulares e aparelhos televisores, geralmente  são acompanhadas de centenas de curtidas e compartilhamentos. De acordo com a polícia, foi graças à ajuda ‘virtual’ que quadrilhas já foram desarticuladas e veículos encontrados.

De acordo com o delegado Reginaldo Salomão, da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), essas postagens não são ruins, elas têm ajudado a Polícia a elucidar até mesmo outros crimes. “Através de postagens no Facebook, conseguimos prender integrantes da Gangue do Chevette e outras quatro ou cinco quadrilhas foram desarticuladas com ajuda das imagens que foram compartilhadas”, diz.

A “Gangue do Chevette” foi responsável por vários furtos à residências em bairros de Campo Grande, sendo desarticulada no começo deste ano.

Cuidado 

Salomão alerta para casos em que há fotos dos suspeitos, pois quando são menores, é proibida divulgação de imagens. Deve-se tomar cuidado em dois casos, segundo ele, quando há possível envolvimento de menores e quando a imagem não prova que a pessoa realmente é a mesma que cometeu o crime.

“Muitas vezes na imagem só aparece uma pessoa em frente ao portão, ou próximo a residência, essas imagens são importantes para a Polícia. Agora se aparece a pessoa chutando o portão ou entrando na residência, por exemplo, tudo bem, mas o melhor a fazer é levar as imagens primeiramente à Polícia para que seja investigado e até evitar que o suspeito fuja ao ser reconhecido nas imagens”.

Publicações de crimes nas redes sociais já levaram até a desarticular quadrilhas

Questionado se houve uma diminuição no número de boletins de ocorrências, desde que as pessoas passaram a divulgar nas redes sociais os roubos e furtos que haviam sofrido, ele garante que não há diminuição e alerta para a importância de registrar o boletim de ocorrência.

“O boletim é essencial, sem esse registro a polícia fica limitada e não tem ciência do que foi levado. Muitas vezes a Polícia encontra o objeto furtado e precisa devolver para o criminoso por falta de provas. Recentemente encontramos vários celulares com um indivíduo que foi preso, muitas pessoas foram até a Delegacia e até reconheceram os celulares, mas devido a falta do boletim de ocorrência, não podemos devolvê-lo e esses bens acabam voltando para os criminosos”, lamenta o delegado.

Cristina Monteiro de Oliveira, 30 anos, teve sorte ao postar no Facebook que havia furtado a moto de seu marido. O casal saia de uma clínica médica na região do bairro São Francisco quando notaram que a moto não estava mais onde haviam estacionado. “Imediatamente meu esposo ligou para o 190 e fomos até a delegacia fazer o boletim de ocorrência”.

Chegando na delegacia, Cristina decidiu postar no Facebook, e todos começaram a compartilhar e ajudar a localizar o veículo. “A moto foi furtada na segunda por volta das 18h40 e encontrada abandonada no bairro Los Angeles, por volta das 12h30 do dia seguinte em perfeitas condições”, relata e diz ainda que a publicação ajudou a encontrar a moto.

Delegado Salomão orienta ainda que em casos de roubos à residências, a primeira providência a ser tomada é acionar a Polícia e aguardar a chegada dos policiais.

“Em casos como esses, orientamos que a vítima aguarde chegada da perícia, para só então liberar as imagens dos objetos roubados no Facebook, pois muitas vezes o investigar é mais experiente e já sabe quem são os envolvidos no delito, quando isso acontece a postagem pode atrapalhar, pois o próprio autor pode ver e acabar fugindo”, finaliza.

Jornal Midiamax