Polícia

Professor que matou Kauan é absolvido de seis crimes e tem pena reduzida

Decisão foi do mesmo juiz que o condenou

Clayton Neves Publicado em 04/07/2018, às 16h04 - Atualizado em 05/07/2018, às 07h50

Professor no momento da prisão. Foto: Arquivo
Professor no momento da prisão. Foto: Arquivo - Professor no momento da prisão. Foto: Arquivo

Condenado na última quinta-feira (28) a mais de 66 anos de prisão, o professor acusado de estuprar e matar o menino ​Kauan Andrade, de 9 anos, foi absolvido de seis crimes e teve pena reduzida. A decisão dada pelo juiz Marcelo Ivo de Oliveira, de 7ª Vara Criminal de Campo Grande, o mesmo que o condenou, foi publicada nesta quarta-feira (4) no Diário da Justiça.Professor que matou Kauan é absolvido de seis crimes e tem pena reduzida

“Diante do exposto, julgo procedente em parte a pretensão punitiva do Estado formulada na denúncia de fls. 01/03 e aditamento à Denúncia de fls. 201/205, para o fim de absolver o acusado quanto ao delito em relação às vítimas”, diz a publicação.

De acordo com o advogado Alessandro Faria, que faz a defesa do autor, o professor foi absolvido do crime de estupro contra quatro adolescentes e de favorecimento de prostituição contra outros dois.  Todas as outras condenações foram mantidas e agora, a pena total é de 64 anos, 11 meses e seis dias de prisão inicialmente em regime fechado.

Além disso, o réu perdeu o direito aos bens apreendidos durante a investigação do caso, já que são instrumentos do crime e terá que pagar R$ 2.000 para cada vítima referente a danos morais.  Ele pode recorrer da decisão porém continua preso até que o requerimento seja analisado pela Justiça.

O professor foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, estupro de vulnerável com resultado morte, vilipêndio e ocultação de cadáver, favorecimento à prostituição, armazenamento de pornografia envolvendo crianças e adolescentes e perturbação.

Relembre o caso

​Kauan desapareceu da casa da família, no Aero Rancho, no dia 25 de junho. O menino cuidava carros na região quando foi visto pela última vez. A família registrou boletim de ocorrência e as investigações foram realizadas pela Depca. Foram mais de 20 dias sem notícias até o sábado em que o caso foi esclarecido.

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa. A criança teria morrido enquanto era violentada.

Com Kauan inconsciente, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

O homem suspeito de ser pedófilo foi preso no dia 21 de julho, no começo da tarde, pouco antes do início das buscas pelo corpo do menino. De acordo com o delegado, o suspeito negou as acusações, mas com o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, não há dúvidas de que a vítima era Kauan.

Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do suspeito, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o menino. O criminoso teria ido sozinho às margens do córrego e permanecido por aproximadamente 30 minutos.

Equipes da polícia e o Corpo de Bombeiros fizeram buscas pelo corpo de Kauan no Córrego Anhanduí. Apenas um saco de lixo com fios de cabelo foi encontrado.

Jornal Midiamax