Polícia

Carretas são apreendidas com carga milionária de contrabando de cigarros do Paraguai

Após uma denúncia, a Polícia Federal encontrou três carretas carregadas com cigarros contrabandeados do Paraguai. Os veículos estavam em um posto de combustíveis na Avenida Consul Assaf Trad em Campo Grande, na noite desse sexta-feira (31), a carga estava coberta apenas com uma lona. De acordo com a polícia a carga é milionária. Conforme informações […]

Mariana Rodrigues Publicado em 01/09/2018, às 09h25 - Atualizado às 10h32

Foto: Divulgação/PF
Foto: Divulgação/PF - Foto: Divulgação/PF

Após uma denúncia, a Polícia Federal encontrou três carretas carregadas com cigarros contrabandeados do Paraguai. Os veículos estavam em um posto de combustíveis na Avenida Consul Assaf Trad em Campo Grande, na noite desse sexta-feira (31), a carga estava coberta apenas com uma lona. De acordo com a polícia a carga é milionária.

Conforme informações da Polícia Federal, denúncia anônima levou ao conhecimento dos policiais que um caminhão estava transportando ilegalmente grande quantidade de cigarros de origem estrangeira e que o veículo estaria estacionado em um posto de combustíveis.

Equipes foram até o local e localizaram um caminhão bi-trem com as características da denúncia. O motorista do veículo foi abordado e, ao ser informado que a carga seria vistoriada, confessou estar transportando cigarros contrabandeados. Ainda, informou que no mesmo local havia outro caminhão, com as mesmas características, transportando cigarros de origem estrangeira.

A partir desta descoberta, as equipes realizaram vistorias em todos os caminhões e carretas localizados nas proximidades e encontraram outro caminhão bi-trem com grande carga de cigarros contrabandeados. As cargas estavam apenas cobertas por lonas.

Três motoristas foram presos, envolvidos no delito de contrabando, sendo que as cargas ilícitas transportadas têm valor milionário conforme informou a Polícia Federal.

Além do crime de contrabando, tendo em vista a existência de aparelhos de comunicação clandestina nos veículos, os detidos responderão por fraude às telecomunicações. As penas máximas somadas dos delitos chegam a oito anos de reclusão.

Mato Grosso do Sul é apontado como uma das principais rotas dos “cigarreiros”, que abastecem o mercado brasileiro com cigarros de fabricação paraguaia sem pagar impostos. Após Operação Oiketikus que colocou atrás das grades 29 policiais militares suspeitos de integrarem uma quadrilha para facilitar o contrabando, as forças de segurança intensificaram a fiscalização e as apreensões aumentaram.

As apreensões deste ano já superaram as de 2017, em um único dia, a Polícia Federal fez a maior apreensão de contrabando de cigarros do país quando foram tirados de circulação 11 milhões de maços, que estavam em 11 carretas. Para apreender essa carga, policiais da PF chegaram a cercar Ivinhema.

Cigarreiros em MS

Em maio deste ano, a ofensiva contra os “cigarreiros” ocorreu com a Operação Oiketikus, que contou com a participação de cerca de 125 policiais militares e nove promotores de justiça. Policiais militares suspeitos de participação no esquema entraram na mira com a prisão de mais de 20 agentes da corporação, só na primeira fase da ação.

No total, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Mato Grosso do Sul denunciou 28 dos 29 policiais presos durante as duas fases da operação, que investiga a atuação de policiais para garantir a livre movimentação da chamada “Máfia do Cigarro”. Ricardo Campos Figueiredo não entrou na lista pois está preso por obstrução de justiça, já que quebrou celulares que seriam levados como prova.

Os policiais denunciados pelo grupo são Admilson Cristaldo Barbosa, Alisson José Carvalho de Almeida, Anderson Gonçalves de Souza, Angelucio Recalde Paniagua, Aparecido Cristiano Fialho, Claudomiro de Goes Souza, Claiton de Azevedo, Clodoaldo Casanova Ajala, Elvio Barbosa Romeiro, Erick dos Santos Ossuna, Francisco Novaes, Ivan Edemilson Cabanhe, Jhondnei Aguilera, Kelson Augusto Brito Ujakov, Kleber da Costa Ferreira, Lindomar Espindola da Silva, Lisberto Sebastião de Lima, Luciano Espindola da Silva, Maira Aparecida Torres Martins, Marcelo de Souza Lopes, Nazário da Silva, Nestor Bogado Filho, Nilson Procedônio Espíndola, Oscar Leite Ribeiro, Roni Lima Rios, Salvador Soares Borges, Valdson Gomes de Pinho e Wagner Nunes Pereira.

A investigação teve início em abril do ano passado, quando a corregedoria da Polícia Militar repassou aos promotores denúncias sobre “rede de policiais militares, maioria da fronteira, envolvidos em crime de corrupção e organização criminosa”. Os promotores reforçam que militares de diferentes patentes e regiões do Estado se associaram para facilitar o contrabando.

Em troca, os militares recebiam propinas de até R$ 100 mil para fazer “vista grossa” e até repassar informações sigilosas aos contrabandistas.

Os mandados tiveram como alvo residências e locais de trabalhos dos investigados, distribuídos nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão, Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

Jornal Midiamax