Polícia

Apesar de conhecerem fama, moradores não denunciaram suspeitos e delegado orienta população

Após o estupro de uma criança de 11 anos no Bairro Dom Antonio Barbosa, em Campo Grande, nessa terça-feira (1º), moradores e vizinhos dos suspeitos e mostraram com medo e revoltados. Apesar de muitos conhecerem fama de “sem-vergonha” de um dos suspeitos, inclusive o pai da vítima, nenhuma denúncia contra ele havia sido feita à […]

Mariane Chianezi Publicado em 02/05/2018, às 18h27

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Após o estupro de uma criança de 11 anos no Bairro Dom Antonio Barbosa, em Campo Grande, nessa terça-feira (1º), moradores e vizinhos dos suspeitos e mostraram com medo e revoltados. Apesar de muitos conhecerem fama de “sem-vergonha” de um dos suspeitos, inclusive o pai da vítima, nenhuma denúncia contra ele havia sido feita à polícia antes. Mas como moradores devem proceder caso suspeitem de qualquer crime envolvendo abusos contra crianças?

O delegado da DEPCA (Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente), Fábio Sampaio, explicou ao Jornal Midiamax que moradores devem, primeiramente, comunicar polícia sobre suspeitas e jamais cometerem justiça com as próprias mãos.

“Sempre que houver algum tipo de dúvida a esse tipo de situação, a pessoa deve comunicar imediatamente a polícia. Se não quiser se identificar, basta ligar no disque 100 que a denúncia caíra aqui para nós (DEPCA), ou então procurar pessoalmente uma delegacia”, disse Sampaio, orientando população a não ser omissa nessas ocasiões.

Delegado também destaca que em nenhuma hipótese devem fazer papel de justiceiros e que devem deixar que as autoridades tomem as devidas providências. “Buscamos orientar também para que não queiram fazer justiça privada. É deve do Estado tratar desses casos”, disse. Sobre a tentativa de linchamento aos suspeitos mesmo com a presença da Polícia Militar no local, o delegado reprovou atitude e disse, inclusive, que teve militar que ficou ferido.

O que moradores falam

O local possui muitas crianças brincando na rua, todos se conhecem, e vizinhos comentaram com a reportagem suspeitas sobre o Pascoal.

Uma mulher de 42 anos, diz conhecer um dos suspeitos há muitos anos, ele é morador antigo no bairro, segundo ela. “Sabia que ele era safado, mas nunca imaginei que ele chegaria a esse ponto”, diz. Ela relata que ele se apresenta como pastor, e inclusive já ficou sabendo que ele oferece dinheiro para crianças da região, mas não sabe informar se oferece dinheiro para deixar passar a mão nas partes íntimas das crianças.

O Pascoal que é esse conhecido e que se apresenta como pastor, ele é carroceiro na região. A moradora disse que ficou sabendo que a menina de 11 anos estava há dois dias na casa do Pascoal e que o outro envolvido seria irmão dele.

Ela disse também que há quatro anos, o suspeito chegou a mostrar o órgão genital para crianças no meio da rua, mas nunca havia sido denunciado. “Me sinto com medo e insegura, tenho cuidado redobrado com meus netos e até com meu filho de 15 anos, toda hora estou olhando para saber onde estão e o que estão fazendo ou com quem estão brincando”, conta ela que tem netas de 9 anos, 7 anos e um menino de 8 anos.

Ela classificou o fato de ontem como “chocante” para todos os moradores, tanto que quando ficaram sabendo do ocorrido, após movimentação da polícia, começaram a gritar: “tarado, tarado”, nesse momento, os populares se aglomeraram com o objetivo de linchar os autores. “Espero que eles fiquem presos, porque se forem soltos, a população vai acabar linchando eles, todos no bairro estão revoltados”, conta.

Já outra moradora diz: “Tento não pensar muito nisso, tenho um filho de dois anos e outro que está para nascer, é revoltante saber que isso aconteceu tão perto da minha casa, ainda mais eu que tenho crianças pequena. Agora a gente redobra ainda mais o cuidado, sempre achamos que isso vai acontecer longe, não tão próximo a nós”, diz o auxiliar de produção de 19 anos, ele alega que não conhecia nenhum dos suspeitos, mas viu toda a movimentação.

“É revoltante toda essa situação, ele (Pascoal) era conhecido aqui no bairro, ele é pastor, mas todos sabiam que ele era safado, que oferecia dinheiro para crianças, e por ter acontecido com criança (estupro), é mais revoltante ainda”, disse uma jovem de 18 anos, desempregada.

Devido ao fato de muitas crianças adorarem brincar na rua, os moradores afirmaram que vão redobrar os cuidados para evitar casos como esse.

Jornal Midiamax