Polícia

‘Tá bêbado’: ligação para 190 revela que Adriano e amigos pediam identificação a PRF

Testemunha também ligou para PM e disse que Moon não se identificou como policial

Renata Portela Publicado em 27/01/2017, às 12h45

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Testemunha também ligou para PM e disse que Moon não se identificou como policial

Enquanto abordava o empresário Adriano Correia do Nascimento, de 33 anos, e os dois amigos que o acompanhavam na volta de uma boate, o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, de 47 anos, fez uma ligação ao 190 que ajudou a polícia a concluir o caso. O Jornal Midiamax teve acesso à íntegra do áudio, em que é possível ouvir que as vítimas pedem para que ele se identifique.

Na madrugada de 31 de dezembro de 2016, o policial abordou o empresário, que conduzia a camionete Hilux, ocupada também por dois passageiros, um amigo de Adriano e o enteado dele, de 17 anos. O áudio revela que o policial não teria mostrado às vítimas a identificação, apenas apontado a arma. As investigações policiais ainda apontaram que ele não trajava a farda completa, impedindo que as vítimas o identificassem.

Ricardo foi denunciado por homicídio qualificado pelo MPE (Ministério Público Estadual). Além da ligação feita pelo próprio policial à Polícia Militar, ligações de testemunhas feitas à polícia e ao Corpo de Bombeiros também foram usadas nas investigações, analisadas e transcritas no inquérito.

A ligação

Os áudios foram definitivos para as investigações, já que é possível ouvir o que as vítimas falam enquanto o policial aciona uma equipe da Polícia Militar. A ligação para o 190 feita pelo PRF dura 7 minutos e 18 segundos. Neste tempo, eles discutem e o policial afirma que o motorista está embriagado e que o fechou, quase provocando um acidente.

Na conversa, por mais de uma vez as vítimas pedem para que o policial se identifique e ainda dizem que se ele se identificar, irão se afastar. Ricardo chega a dizer ao policial que está na linha telefônica que é PRF, mas tudo leva a crer que não mostrou qualquer identificação para as vítimas.

Uma testemunha que ligou para o 190 após o policial ter atirado contra a camionete diz na ligação que há apenas uma equipe com três policiais militares no local. A testemunha ainda diz que Ricardo não havia se identificado como policial até o momento, que os militares no local não o prenderam e que a população tomaria uma providência cabível se as outras equipes policiais demorassem a chegar.

A transcrição da ligação feita pelo PRF para a Polícia Militar na íntegra você confere AQUI.

Confira o trecho do áudio:

"PM: O que que tá acontecendo aí, jovem? Não tô entendendo.

PRF: É que eu quase tive um acidente por causa desse cara aqui, eles estão batendo boca comigo e o motorista tá bêbado. Tá. Ele tá indicando índice, indício de embriaguez.

Vítima1: Você também tá bêbado então.

PRF: Não! Não tô não. Eu tô indo pro trabalho, rapaz!

PRF: Tem três passageiros suspeitos aqui. EU sou PRF tá. Tem três passageiros suspeitos aqui tá (Vozes sobrepostas ao fundo)

Vítima 1: (ininteligível) identidade.

PRF: Eu vou mostrar pro senhor. Eu vou mostrar pro senhor. E o motorista tá com indício de embriaguez.

Vítima1: Meu! Tá errado você! Eu pedi pra você se identificar como policial… (Vozes sobrepostas ao fundo)

PRF: Fica lá! Fica lá!

Vítima1: A hora que você me mostrar a sua identidade eu vou me afastar. Eu não saio daqui enquanto você não me mostrar a sua (…)"

Jornal Midiamax