Polícia

Suspeito de matar Kauan sempre abusava de vítimas na frente de outras crianças

Soma de condenações de autor pode chegar a 128 anos de prisão

Midiamax Publicado em 14/08/2017, às 18h47

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Soma de condenações de autor pode chegar a 128 anos de prisão

A Polícia Civil já tem provas suficientes para indiciar o suspeito de matar Kauan Andrade, 9 anos, por estupro seguido de morte e ocultação de cadáver, já que os abusos sempre foram cometidos por na frente de outras crianças. O delegado Paulo Sérgio Lauretto, da Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), aguarda resultados da Perícia, que enfrenta dificuldades devido a limpeza excessiva da casa e carro do vendedor de celulares.

O principal suspeito da morte do menino já estava preso preventivamente por outros oito estupros de vulnerável. Agora, o delegado Lauretto enviou à Justiça o primeiro pedido de prisão temporária do suspeito com relação aos crimes praticados contra Kauan, o estupro de vulnerável seguido de morte e ocultação de cadáver.

Lauretto fez o pedido baseado em depoimentos de testemunhas que comprovaram, que o menino esteve na casa do suspeito, no dia do crime, e também pelos vestígios encontrados na casa, que reforçam a versão do adolescente de 14 anos que teria participado do crime.

“O pedido garante a manutenção da prisão do suspeito e beneficia a investigação. O prazo é de 30 dias, mas pode ser prorrogado por mais 30”, explicou Lauretto.

O suspeito, segundo o delegado, ainda não foi ouvido, formalmente, sobre a ocultação do cadáver. “Essa é a chance de que ele ajude de uma vez por todas, nas investigações. Ele continua calado, não comenta sobre as outras oito vítimas e garante que só falará em juízo”, ressalta Lauretto.

Provas suficientes

O delegado disse ao Jornal Midiamax que tem provas suficientes para indiciar o suspeito por estupro seguido de morte e ocultação de cadáver, porque “pouquíssimas vezes abusava de crianças sozinho, sempre havia uma testemunha”, revelou Lauretto.

O caso mais antigo, registrado por uma vítima, ocorreu no final de 2016. Os laudos ainda não estão prontos, pois as inúmeras tentativas de limpeza da casa deterioraram provas e a Perícia enfrenta dificuldade em analisar o DNA.

De acordo com o delegado, caso seja condenado pelo oitos estupro de vulnerável e estupro seguido de morte e ocultação de cadáver de Kauan, o suspeito pode pegar 128 anos de prisão.

Buscas

Familiares, amigos e demais participantes de um grupo de WhatsApp criado desde o 22º dia de sumiço de Kauan Andrade, 9 anos, iniciaram na última segunda-feira (7) buscas independentes pelo corpo do garoto. Com enxadas e facões, o grupo desceu nas margens do Córrego Anhanduí, pela ponte do Pênfigo, para reconhecer o território.

As buscas da Polícia Civil não estão paralisadas e a cada nova informação ‘buscas pontuais’ são realizadas. 

O caso

Suspeito de matar Kauan sempre abusava de vítimas na frente de outras crianças

Durante as investigações do desaparecimento, um adolescente de 14 anos acabou apreendido por envolvimento no crime. Ele relatou à polícia que atraiu Kauan na noite do dia 25 de junho para a casa. A criança teria falecido enquanto era violentada.

Com Kauan inconsciente, não se sabe ainda se desmaiado ou já sem vida, os suspeitos colocaram o corpo do menino em saco plástico e ‘desovaram’ no Córrego Anhanduí, por volta da 1 hora do dia 26 de junho.

O homem suspeito de ser pedófilo foi preso na sexta-feira (21), no começo da tarde, pouco antes do início das buscas pelo corpo do menino. De acordo com o delegado Paulo Sérgio Lauretto, o suspeito nega as acusações, mas com o depoimento do adolescente e os fatos já confirmados pela perícia, não há dúvidas de que a vítima era Kauan.

Sobre o local onde o corpo foi deixado, segundo a autoridade policial, o adolescente apresentou contradição. Ele afirma que entrou no carro do suspeito, com o corpo no porta-malas, mas que não desceu do veículo para jogar o menino. O criminoso teria ido sozinho às margens do córrego e permanecido por aproximadamente 30 minutos.

Durante todo o sábado (22), a polícia e o Corpo de Bombeiros fizeram buscas pelo corpo de Kauan no Córrego Anhanduí. Apenas um saco de lixo com fios de cabelo foi encontrado.

Uma amiga da família de Kauan contou a equipe do Midiamax que ele era ‘fissurado’ por pipas e que suspeita que isso pode ter sido usado pelo suspeito para atrair o menino. “Ele colecionava pipas, chegava a esconder a pipa em cima da casa para os irmãos não estragarem”. O homem já teve a prisão preventiva decretada por estupro de vulnerável e exploração sexual.

Jornal Midiamax