Polícia

Primo diz que torturava menino só ‘incorporado’ e desmente avó

Jovem disse ainda que 'era obrigado' durante rituais de magia negra

Thatiana Melo Publicado em 25/02/2016, às 16h27

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Jovem disse ainda que 'era obrigado' durante rituais de magia negra

G.S.O., de 18 anos, primo do menino de 4 anos que era torturado pelos tios, afirmou ao delegado Paulo Sérgio Lauretto, titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), que foi obrigado a participar dos rituais de 'magia negra' pelos tios do menino, de 4 anos.

Segundo o depoimento do primo, os rituais começaram em setembro de 2015, e que em muitas vezes era obrigado a participar. Além disso ele afirma que em um dos últimos rituais, a tia da criança o fez 'incorporar' uma entidade, portanto ele não lembra do ocorrido.

O delegado ainda afirmou que durante o depoimento, G.S.O. disse que a mãe da tia da criança também participava dos rituais, contradizendo a afirmação dela de que só praticava 'magia branca' e que nunca teria participado de sessões de tortura contra o menino.

Para o delegado, o jovem afirmou que a criança era agredida com cabo de vassoura, era queimada com ponta de charuto e tinha água quente derramada em seu corpo. Ainda de acordo com o depoimento, o último ritual de que teria participado foi em dezembro de 2015.

Lauretto ainda afirmou que vai aguardar um mandado de busca e apreensão para realizar a perícia na residência onde o casal morava. A mãe da tia da criança, de 4 anos, deve voltar a ser ouvida depois do depoimento do rapaz que confirmou sua participação nos rituais.

O primo seria será encaminhado ainda nesta quinta-feira (25) para o presídio, mas ainda não se sabe para qual estabelecimento penal.

O caso

A criança foi resgatada na noite desta terça-feira (23) depois de uma visita de rotina do abrigo que constatou os machucados no menino, que tinha muitas lesões pelo corpo, nas costas, pescoço e teve a unha do dedão do pé arrancada, além de ter água quente derramada em sua cabeça.

A criança foi levada para a Santa Casa da Capital e segundo informações da enfermeira que atendeu o menino, ele pode até perder a visão dos dois olhos devido às agressões sofridas.

O casal, de 31 e 46 anos, tios do menino tinham a guarda desde maio de 2015. O menino tem uma irmã, que ainda está no abrigo.  Na residência que fica na região central de Campo Grande, foram encontrados dois celulares, R$ 402, pulseiras de miçangas, patuá e um boneco, que segundo informações eram usados em prática de magia negra.

A justificativa para tanta barbárie seria o diabo, como disse a tia. Segundo a autora, eles ouviam vozes, que eram do diabo, e por isso, praticavam as torturas. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro e deve ser repassado para a Depca.

Jornal Midiamax