Polícia

‘Presos ditam as regras’ em presídio onde agente foi agredido, diz servidor

Agepen rebateu afirmando que agentes estão no controle da situação

Kemila Pellin Publicado em 19/01/2016, às 21h42

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Agepen rebateu afirmando que agentes estão no controle da situação

As imagens de um preso 'partindo para cima' de um agente do Estabelecimento Penal de Corumbá, distante 444 quilômetros de Campo Grande, não são novidade para os funcionários do local. Segundo um servidor que preferiu não se identificar, esta já é terceira agressão testemunhada por ele. “Desta vez ganhou repercussão por causa do vídeo, mas não é a primeira vez e os agentes não denunciam por medo de represália ou punição. Os presos ditam as regras ali dentro”, explicou.

Ainda de acordo com o denunciante, no local circulam drogas e celulares e os detentos discutem se vão aceitar ou não os atos da administração local. Eles decidiriam inclusive, que preso quem entra ou sai do local e qual agente será responsável por determinado plantão.

O servidor atribui a situação a falta de efetivo, explicando que ficam apenas dois agentes no corredor, sendo responsáveis por 500 presos. “Tem dias que um único agente tem que vigiar 50 presos no banho de sol. Então são os detentos que determinam quanto tempo vão ficar. Os servidores não tem autoridade ali”, destacou.

Outro lado

O diretor da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul), Ailton Stropa, rebateu a denúncia afirmando que não acredita que tenham ocorrido outras agressões, porque nenhum caso foi relatado a direção. “Isso foge do padrão da Agepen. Porque cada vez que ocorre um acontecimento como este, imediatamente o agente vai a polícia, registra o BO e depois comunica a chefia, que determina uma medida socioeducativo para o preso. Neste caso ele foi transferido para a máxima”, disse.

Ailton ainda destacou que será aberta uma sindicância para apurar o vazamentos das imagens, visto que expõe a rotina do estabelecimento.

Sobre as demais denuncias, o diretor reforçou que os agentes tem total domínio sobre o presídio, tanto que não há rebeliões no local e nenhuma fuga foi registrada recentemente. “O número de agentes é menor do que o ideal, mas tentamos suprir essa demanda com horas extras, o que nos deixa em uma situação bem próxima do esperado”, explicou.

O diretor admitiu que uso de drogas é possível dentro dos presídios, mas que não é uma situação rotineira e nem aceita pela Agepen. “ Frequentemente estamos apreendendo celulares, drogas, chips e até armas brancas, porque os presos são criativos e por alguma deficiência nossa, elas estão entrando nos presídios. Mas nosso objetivo é inibir isso sempre”, explicou.

Ailton finalizou, afirmando que a denuncia pode ser uma jogada de interesses, onde o denunciante pode estar ligado a antiga administração, trocada há 8 meses, e tem intenção de desestruturar o atuais responsáveis pela instituição. “Esse tipo de denuncia, que não tem uma provas, contra tudo que nós, que temos documentado, não pode merecer tanto crédito”, finalizou.

Jornal Midiamax