Polícia

Presídio tem tumulto com chegada de tia suspeita de torturar menino

Detentas não aceitam presença dela no local

Kemila Pellin Publicado em 24/02/2016, às 19h21

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Detentas não aceitam presença dela no local

A chegada da tia suspeita de torturar uma criança de quatro anos, está causando tumulto no Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi. As detentas não aceitam a presença dela no local e se reuniram no pátio do presídio, gritando palavras de ordem.

Os portões foram fechados e os familiares, que tentaram levar produtos de higiene pessoal e limpeza para as presas, foram proibidos de entrar. A aposentada Luzia de Almeida Aleixo, de 64 anos, contou que não sabe ao certo o que está acontecendo, mas foi informada que terá que voltar na próxima quarta-feira para entregar os produtos da filha, presa no dia 24 de dezembro.

As agentes informaram que não tem autorização para comentar sobre a confusão e a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) ainda não se pronunciou.

A prisão preventiva dela e do marido, foi decretada pela Justiça na tarde desta quarta-feira (24). Conforme o delegado responsável pelo caso, Paulo Sérgio Laureto, da DEPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), o casal passou pela audiência de custódia pela manhã e seriam transferidos ainda hoje para o presídio masculino e feminino da Capital.

O terceiro suspeito de participar das sessões de tortura, um rapaz de 18 anos, também foi preso nesta tarde, em Aquidauana. Segundo o delegado Antonio Souza Ribas Junior, o jovem admitiu morar junto com o casal, mas negou participar do crime. Ele seria primo do garoto.

O caso

A criança foi resgatada na noite desta terça-feira (23) depois de uma visita de rotina do abrigo que constatou os machucados no menino, que tinha muitas lesões pelo corpo, nas costas, pescoço e teve a unha do dedão do pé arrancada, além de ter água quente derramada em sua cabeça.

A criança foi levada para a Santa Casa da Capital e segundo informações da enfermeira que atendeu o menino, ele pode até perder a visão dos dois olhos devido às agressões sofridas.

O casal, de 31 e 46 anos, tios do menino tinham a guarda desde maio de 2015. O menino tem uma irmã, que ainda está no abrigo.  Na residência que fica na região central de Campo Grande, foram encontrados dois celulares, R$ 402, pulseiras de miçangas, patuá e um boneco, que segundo informações eram usados em prática de magia negra.

A justificativa para tanta barbárie seria o diabo, como disse a tia. Segundo a autora, eles ouviam vozes, que eram do diabo, e por isso, praticavam as torturas. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro e deve ser repassado para a DPCA (Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente) para investigação.

Jornal Midiamax