Polícia

Picape comprada com indenização ajudou ‘Nando’ a enterrar vítimas

Ganhou indenização do Estado

Renata Portela Publicado em 20/12/2016, às 14h52

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Ganhou indenização do Estado

A forma como Luiz Alves Martins Filho, de 49 anos, o ‘Nando’, transportava as vítimas e enterrava os corpos na região de chácaras do Jardim Veraneio, mudou com o passar do tempo. Conforme a polícia, para facilitar no transporte dos materiais usados para escavação, ‘Nando’ até trocou de carro.

Em 2004, foi julgado um pedido de indenização por danos morais contra o Estado de Mato Grosso do Sul. O processo foi feito por conta da prisão de ‘Nando’ ocorrida em 16 de dezembro de 1996. Ele teria sido preso por estupro, sofrido agressões no presídio e alegou ter ficado com sequelas por conta disso, pedindo indenização de R$ 100 mil, mas não há detalhes do valor que conseguiu receber.

No processo consta ainda a informação de que em 1995, ele chegou a ser detido e internado na Santa Casa, de onde conseguiu fugir após ser considerado agressivo por psiquiatras que o atenderam. ‘Nando’ chegou a cumprir pena no regime semiaberto, mas alegando problemas de saúde, teve prisão domiciliar concedida.

Retornando ao semiaberto, ele deixava de comparecer e estava prestes a ter a prisão revertida em regime fechado, quando a polícia descobriu o esquema de exploração sexual e os 16 homicídios. Em depoimentos, ‘Nando’ chegou a revelar que a forma como enterrava as vítimas mudou com a troca de carros que ele fez durante os anos.

Troca de carros

Segundo o delegado Márcio Shiro Obara, da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), ‘Nando’ tinha um Gol 1000 quando começou a série de homicídios. Ele levava as vítimas até o Jardim Veraneio, onde as matava por asfixia. Com a dificuldade de transportar os materiais usados para as escavações, ele contou à polícia que enterrava as vítimas deitadas.

Após ganhar a indenização e comprar uma Saveiro, ‘Nando’ contou que conseguia transportar mais materiais e equipamentos para fazer as escavações e, conseguindo cavar buracos mais profundos, passou a enterrar as vítimas de ponta cabeça. Depois, ele ainda conseguiu trocar a picape por uma S10, que também usou no transporte das vítimas e dos materiais de escavação, tendo sempre ajuda de comparsas tanto para os homicídios quanto para enterrar os corpos.

Escavações

O delegado Obara ainda explicou a forma como são feitas as escavações, conforme a profundidade em que as ossadas são encontradas. Além disso, as primeiras ossadas foram encontradas em um ponto específico, enquanto outras duas estavam mais afastadas. Na segunda-feira (19), outras duas ossadas foram localizadas, de duas adolescentes, chamadas Jennifer Lima e Jennifer Luana.

Outras três ossadas estariam no mesmo ponto, em uma chácara particular. Duas vítimas teriam sido enterradas dentro da chácara, enquanto a outra foi enterrada em uma estrada vicinal, no local onde posteriormente postes de energia elétrica foram instalados. A Energisa fez a retirada e recolocação do poste e acompanha o trabalho da polícia.

Jornal Midiamax