Polícia

Justiça ouve primas de menino torturado em processo contra os pais

O casal também é investigado por abandono de incapaz 

Midiamax Publicado em 29/06/2016, às 18h17

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O casal também é investigado por abandono de incapaz 

A segunda audiência sobre o caso do menino de 4 anos torturado pela família adotiva em rituais de magia negra acontece na tarde desta quarta-feira (29) na 7ª Vara Criminal de Campo Grande. Além do caso, que ganhou repercussão nacional, a justiça também apura denúncias de abandono de incapaz e ouve as filhas biológicas dos tios-avós do menino, que o adotaram.

As meninas, de 9 e 12 anos, são ouvidas por uma psicóloga em uma sala especial, sem contato com o promotor, advogado ou com o juiz. As perguntas são ditadas por um ponto para que a psicóloga repita para as meninas e as autoridades acompanham todo o depoimento por uma televisão que transmite imagens da conversa.

Segundo informações apuradas no local, o depoimento é referente a denúncias de abandono. A suspeita é que além de torturar o sobrinho, o casal deixava os filhos sozinhos em casa. Ainda assim, o juiz não descarta a possibilidade de conversar também sobre a série de torturas ao menino em rituais de magia negra. O primo de 18 anos e mãe da tia-avó do menino, de 60, também estão presos pelo envolvimento no crime.

Cinco testemunhas foram chamadas nesta quarta-feira, três delas de acusação de duas de defesa. Antes das crianças, o delegado titular da Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) Paulo Sérgio Laureto e a psicóloga que ouviu a criança assim que ela foi resgatada, foram ouvidas rapidamente.

Resta uma terceira testemunha de acusação e outras duas de defesa. De acordo com o advogado da avó adotiva do menino (a mãe da tia-avó da criança), Marcos Ivan, outras três pessoas que podem comprovar a inocência da mulher foram levadas por ele ‘a parte’ para a audiência. Para a polícia, os outros envolvidos no crime apontaram a mulher como mentora das torturas. 

Ainda conforme o advogado, na audiência será feito o pedido de liberdade para a mulher, que segundo ele, foi uma das únicas pessoas que ficaram contra a adoção do menino pelo tio-avô.

Se todas as testemunhas forem ouvidas nesta tarde, os três réus que estão no local, o tio-avô da criança, de 46 anos, a sogra dele de 60 anos, e o primo de 18, podem ser ouvidos. A tia da criança está presa em Corumbá e será ouvida pela justiça do município.

Os quatro suspeitos foram presos depois que uma assistente social constatou os machucados no menino de 4 anos durante uma visita de rotina na noite do dia 23 de fevereiro deste ano. (Matéria editada às 17h49 para correção de informações)

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