Polícia

Com medo de ‘lista de execução do PCC’, servidores penitenciários param em MS

Servidores paralisaram atividades

Renata Portela Publicado em 05/09/2016, às 12h14

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Servidores paralisaram atividades

Ameaças constantes, falta de efetivo, falta de equipamentos e insegurança são apontadas pelos agentes penitenciários de Mato Grosso do Sul como características do trabalho dos servidores. Após atentado contra um agente em Naviraí e a descoberta de uma 'lista de execução' que ameaça duas servidoras do Estado, os agentes decidiram pela paralisação das atividades nesta segunda-feira (5).

O diretor do Sinsap/MS (Sindicato dos Servidores da Administração de MS), André Luiz Garcia Santiago, falou ao Jornal Midiamax que a ideia inicial é uma paralisação de apenas 24 horas, para chamar a atenção das autoridades. “Não vamos parar todos os serviços. Serão mantidos a alimentação, saúde e o banho de sol dos presos”, afirmou. Os agentes farão restrição ao atendimento de advogados e também atendimento psiquiátrico.

Conforme Santiago, hoje o Presídio de Segurança Máxima, onde agentes se reuniram em um ato para iniciar a paralisação, abriga 2.308 presos. Apesar da quantidade de detentos, apenas 9 plantonistas atuam no presídio diariamente, sendo que o ideal seria 1 agente para cada 5 presos, ou seja, mais de 450 agentes penitenciários.

“Falta vontade política. A categoria cobra uma ação definitiva do poder público, com melhorias nas condições de trabalho”, disse o presidente do sindicato. Santiago ainda lembra que o recente atentado contra um agente em Naviraí, ameaças diárias, fugas de presos e também a morte de detentos provocadas por outros internos resultaram na paralisação dos agentes, para reivindicarem atenção das autoridades.

'Lista de execução'

Para piorar a situação dos agentes penitenciários, na última semana autoridades policiais informaram que duas servidoras foram citadas por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). O nome das agentes, uma de Campo Grande e outra de Dourados, foi escutado durante uma interceptação telefônica.

As agentes penitenciárias estariam em uma 'lista de execução' e a ordem teria partido do Presídio de Presidente Venceslau, de um detento conhecido como 'Lendário', que seria o terceiro na hierarquia do PCC. No mesmo presídio está preso Marcola, que seria o líder do comando. “Já conversamos com os agentes e pedimos que eles tenham muito cuidado”, disse Santiago.

De acordo com o sindicato, as duas agentes já saíram de suas cidades, com suas famílias, por questões de segurança. A agente penitenciária de Campo Grande, que foi ameaçada, atua no Patronato e é responsável pelo monitoramento das tornozeleiras e confecção de carteiras de visita. O sindicato já fez pedido de um esquema de segurança no setor.

Jornal Midiamax