Polícia

Carvoeiro que tentou matar colega queimado será julgado nesta quarta

Réu disse que só não matou por falta de gasolina

Celso Bejarano Publicado em 15/11/2016, às 14h51

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Réu disse que só não matou por falta de gasolina

A carreta da Justiça, projeto do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul conhecido como Justiça em Movimento, posto em prática em novembro passado, promove nesta quarta-feira (16), em Corguinho (89 km de Campo Grande), o segundo julgamento em cidades que não possuem estrutura judicial. Pelos planos da corte, a carreta vai levar atendimento judicial aos 25 dos 79 municípios que não têm fórum. O primeiro julgamento ocorreu na cidade de Rochedo.

Nesta quarta, o Tribunal do Júri ocupa o prédio da Câmara dos Vereadores de Corguinho. Lá, será julgado o carvoeiro Iranildo Teixeira Lima, conhecido como Baiano. No dia 10 de julho de 2011, cinco anos atrás, ele tentou matar o colega de trabalho José Diniz Cantanhede, o Maranhão. Baiano tentou queimar o barraco do colega, que conseguiu escapar, mas sofrera queimaduras de primeiro e segundo graus.

De acordo com o processo, Baiano e Maranhão se desentenderam enquanto trabalhavam na fazenda Mimoso. Depois do expediente, os dois foram beber cachaça juntos e voltaram a discutir. Maranhão teria ameaçado o companheiro com uma faca e deu-lhe um tapa no rosto.

Em seguida, cada um dos carvoeiros foi para os seus barracos. Logo depois, com um galão com meio litro de gasolina e um isqueiro, Baiano foi até o barraco do colega e pôs fogo.

O fogo se alastrou rapidamente, atingindo Maranhão que saiu correndo com o corpo em chamas. Baiano retornou ao trabalho como se nada tivesse acontecido.

Outros carvoeiros apagaram o fogo e chamaram o socorro. Maranhão teve o corpo queimado principalmente nos braços e pernas. Ele se livrou das chamas com terra.Carvoeiro que tentou matar colega queimado será julgado nesta quarta

Baiano juntou suas roupas e tentou ir embora, mas foi interceptado por policiais que foram avisados antes. Ele confessou o crime, não demonstrou arrependimento e ainda disse que queria “queimar Maranhão vivo”. O réu contou que só não conseguiu matar a vítima porque faltou gasolina. Baiano, preso à época do crime, mas que vive hoje em liberdade condicional será julgado por tentativa de homicídio.

No primeiro julgamento da Justiça em Movimento, em Rochedo, um peão de fazenda que matou um companheiro de trabalho foi condenado a cinco anos de prisão.

MAIS CIDADES

Além de Rochedo, a carreta da Justiça vai se instalar nas cidades Antônio João, Aral Moreira, Bodoquena, Caracol, Coronel Sapucaia, Douradina, Figueirão, Guia Lopes da Laguna, Japorã, Jaraguari, Jateí, Ladário, Laguna Carapã, Novo Horizonte do Sul, Paraíso das Águas, Paranhos, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Tacuru, Taquarussu e Vicentina.

Na carreta seguem para as cidades o juiz, o promotor de Justiça, o defensor público e advogados que atendem questões que vão desde divórcios, inventários até crimes contra a vida.

Jornal Midiamax