Medicamento contra câncer causou morte de quatro em MS, diz delegada

Atendimento era na Santa Casa
| 30/07/2015
- 23:55
Medicamento contra câncer causou morte de quatro em MS, diz delegada

Atendimento era na Santa Casa

Cinco pessoas foram atuadas após a investigação da morte de quatro mulheres que faziam o tratamento contra o câncer no setor de oncologia da Santa Casa, em Campo Grande. O incidente com as vítimas ocorreram em junho de 2014 e o caso foi esclarecido no fim deste mês pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) e pela comissão de óbitos da Santa Casa.

Os envolvidos são: José Maria Ascenço que é dono da empresa que prestava serviço no setor de oncologia da Santa Casa, o farmacêutico responsável Rafael Castro Fernandes, o médico assistente Henrique Ascenço, a farmacêutica Rita de Cássia Junqueira Goldinho Cunha e a enfermeira Giovana Carvalho Penteado.

A empresa de José Maria atuou na Santa Casa por 13 anos e fazia seis meses que eles estavam trabalhando de forma irregular, já que o contrato tinha vencido. O empresário assumiu o risco pela morte, pois sabia da irregularidade e ainda contratou profissionais que não eram especialistas no tratamento.

José Maria vai responder pelos crimes de homicídio doloso, com intenção de morte, e lesão corporal gravíssima. Já Rafael e Henrique foram denunciados pelo crime de homicídio culposo, aquele que não é intenção de matar. Rita foi indiciada por falsidade ideológica, pois assinava prontuários em nome de outrem, e Giovana por exercício irregular da profissão, pois não poderia manipular os medicamentos. Eles vão responder em liberdade.

Erro

De acordo com a titular da Deco, Ana Claudia Medina, a investigação teve problemas por conta da falta de organização dos profissionais. “Eles deveriam anotar no relatório todo o procedimento feito com cada paciente, como dosagem, reação, horário e tudo mais, porém, as fichas não eram preenchidas”, explica.

A delegada contou que exames médicos e necroscópicos feitos nas três pacientes que morreram e na única que estava viva na época, mostrou que no organismo delas havia “metotrexato”, chamado de “MTX”, que deve ser usado na medicação de pacientes com câncer de mama, o que elas não tinham.

Com isso, foi percebido que o erro ocorreu na manipulação dos medicamentos. “A todo o momento, o Rafael dizia que não estava acostumado com aquele tipo de serviço, pois trabalhou com diluentes e não naquele tipo de serviço, e que o erro teria ocorrido na terceira semana em que estava trabalhando no local, onde o contrato já estava vencido”, ressalta.

Rafael falou que foi treinado por Giovana. Na primeira semana, ela manipulava a medicação e instruía o rapaz, na segunda, eles faziam juntos, e na terceira, ela assumiu tudo. O local foi fechado pela vigilância sanitária. “Após montarmos a comissão e percebermos que o caso se tratava de erro humano, afastamos por total a empresa de lá”, diz a presidente da Comissão, Priscila Alexandrino.

Caso

As famílias denunciaram que os pacientes foram expostos a um tratamento quimioterápico que causaram reações gravíssimos. Os pacientes que morreram são, Carmen Insfran Bernard, Norotilde de Araújo Greco e Maria Gloria Guimarães.

Já a paciente Margarida Isabel de Oliveira sofreu lesões de natureza grave e teve que parar o tratamento, com isso acabou morrendo. As investigações  resultaram em quatro inquéritos policiais, contendo mais de 10 mil páginas, que já foram entregues ao poder judiciário.

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