Celas de delegacia podem ser interditadas após fuga de detentos

Na ocasião, um policial foi ferido com uma barra de ferro
| 29/07/2015
- 17:21
Celas de delegacia podem ser interditadas após fuga de detentos

Na ocasião, um policial foi ferido com uma barra de ferro

Na terça-feira (28), o Sinpol-MS (Sindicato da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) protocolou um ofício, solicitando a interdição das celas da Delegacia de Polícia Civil de Água Clara. A justificativa é de que a delegacia, localizada no município a 193 quilômetros da Capital, não tem estrutura necessária para manter os detentos.

Em nota, o diretor jurídico do Sinpol-MS, Giancarlo Miranda, afirmou que a fuga de domingo (26) já é o segundo caso registrado neste ano na delegacia. “Em fevereiro, seis detentos fugiram da mesma unidade, após serrarem o cadeado da cela que também contava com a vigilância de apenas um policial civil plantonista. O local sofre com a falta de efetivo e de infraestrutura”, afirmou.

Conforme a legislação, a delegacia de polícia deve apenas custodiar o preso durante o período de flagrante. Depois, ele deve ser transferido para a Cadeia Pública, para aguardar julgamento e, posteriormente, encaminhado para o presídio. “A permanência de presos nas delegacias obriga os policiais civis a desempenharem a função de carcereiro, ao invés de estarem nas ruas investigando e solucionando crimes”, explicou Miranda.

Para o diretor, este segundo caso é um alerta para que providências sejam tomadas imediatamente. “O investigador ficou com alguns ferimentos, pois foi agredido com uma barra de ferro e graças ao seu treinamento não foi o terceiro caso deste ano de policial civil morto em combate. Esperamos que as autoridades competentes não esperem uma tragédia acontecer para resolver o problema da custódia de presos nas delegacias de todo o Mato Grosso do Sul”, concluiu Miranda.

Fuga

Por volta das 20 horas do dia 26 de julho, o policial, de 27 anos, ouviu cantos e orações vindo das celas da delegacia. Cinco minutos depois do fim dos cânticos, o policial foi chamado pelos presos. Quando abriu a primeira porta que dá acesso ao local foi surpreendido por Eder Sousa de Araújo, de 21 anos.

Com uma barra de ferro tirada de uma das camas, o preso desferiu um golpe contra o policial que se defendeu com uma das mãos para não atingir a cabeça. Após o golpe, Eder e Gilmar do Carmo Soares, de 28 anos, começaram a persegui-lo até a sala de plantão quando efetuou disparos de arma de fogo contra eles.

Um dos tiros atingiu a perna de Eder. O policial não conseguiu identificar todos os envolvidos na fuga. Em seguida, a vítima foi até a casa de um colega de profissão, que mora próximo da delegacia, e pediu reforço.

Ao retornar à delegacia com o outro policial foi constatado que Eder, Gilmar e Vinícius Henrique Libanio da Conceição, de 18 anos, haviam fugido. Os demais policiais foram acionados e conseguiram recapturar William em uma casa próximo da delegacia e Eder e Vinícius na BR-262, rumo a Campo Grande.

Os três foram reconduzidos à delegacia e autuados por homicídio qualificado pela traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido, na forma tentada.

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