Polícia

Briga entre bairros pode ter motivado assassinato de jovem no Dia dos Pais

Moradores reclamam de falta de policiamento

Renata Portela Publicado em 10/08/2015, às 13h32

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Moradores reclamam de falta de policiamento

Lucas Nery Valanzuela, de 24 anos, morto a tiros na noite de domingo (9), no Parque do Lageado, teria sido vítima de rixa antiga com bairro vizinho. Moradores afirmam que há desavenças entre o Parque do Sol e o Parque do Lageado, e que a região foi totalmente abandonada e esquecida pela polícia.

Morador do Parque do Lageado, um vigilante de 49 anos, que preferiu não se identificar, afirmou à equipe de reportagem do Jornal Midiamax que o bairro foi esquecido pela polícia. Segundo ele, as equipes da Polícia Militar raramente fazem rondas na região. “É um bairro sem lei e ninguém faz nada por nós. Os jovens estão se acabando e eu estou com medo, porque tenho filhos adolescentes e não quero que eles entrem nessa vida”, lamentou.

Ainda de acordo com o morador, os adolescentes que vivem no bairro se reúnem nas ruas durante a noite para usar drogas. Ele ainda afirma que conhece a avó de Lucas e que ela está muito abalada com o ocorrido. Para o vigilante, o bairro foi abandonado pelas autoridades e falta policiamento para que os moradores possam se sentir seguros.

Uma dona de casa, de 28 anos, moradora do Parque do Lageado desde que era criança, afirma que tem medo até de sair de casa quando escurece. “Anoiteceu, não dá pra por o pé pra fora de casa, porque as esquinas ficam cheias de grupinhos de jovens procurando briga e não tem policiamento nenhum”, diz a mulher, que não quis se identificar.

Ainda de acordo com a dona de casa, que tem dois filhos pequenos, até mesmo crianças se envolvem com tráfico na região. “Crianças de 10 anos vendem drogas no bairro. Eu fico com medo de sair porque é muito perigoso. Depois do que aconteceu, volta o clima de medo no bairro”, revela a jovem.

A moradora ainda revela que antigamente havia um posto policial na região, mas que foi desativado. “Durante a noite o bairro é uma terra sem lei. Nem o Samu veio atender o menino e a polícia só apareceu depois de duas horas”, conta a dona de casa.

Amigos da vítima, que também preferiram ter nome e idades preservadas, afirmam que há rixa antiga entre o Parque do Lageado e o Parque do Sol, mas que Lucas não tinha envolvimento com tráfico de drogas e nem tinha desafetos. A informação é de que ele estava morando em Rondônia e veio para Campo Grande apenas para passar o Dia dos Pais.

A informação passada pelos jovens é de que moradores do bairro estavam presos e agora, que estão saindo da cadeia, voltam a praticar crimes. A população, que vive com medo, afirma que o índice de violência aumentou muito no bairro nos últimos tempos.

Em contato com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, a equipe de reportagem do Jornal Midiamax foi informada de que o policiamento ostensivo e preventivo de rondas na região é realizado, porém, infelizmente, não impede a ocorrência de todos os delitos.

A assessoria ainda afirma que outros fatores agregariam à segurança, como iluminação pública, áreas de lazer em boas condições e ruas asfaltadas.

O crime

Por volta das 19 horas, Lucas estava com os amigos, em via pública, quando o suspeito chegou e, em posse de uma arma, disparou duas vezes. Os tiros atingiram o tórax e as costas de Lucas, que caiu no chão. Neste momento, o suspeito ainda se aproximou e atirou na cabeça da vítima.

O fato foi relatado pelo tio da vítima na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga, que foi avisado do homicídio pelo pai de Lucas. O jovem chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. 

Jornal Midiamax