Polícia

Em Manaus, cinegrafista é preso durante cobertura de homicídio

O cinegrafista da TV Band Amazonas Jackson Rodrigues foi preso na manhã desta quinta-feira (27) por policiais militares da 2ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), enquanto o profissional fazia imagens de um duplo homicídio ocorrido na Avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus. O repórter cinematográfico diz ter sido agredido. A Corregedoria Gera...

Arquivo Publicado em 28/02/2014, às 14h31

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O cinegrafista da TV Band Amazonas Jackson Rodrigues foi preso na manhã desta quinta-feira (27) por policiais militares da 2ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), enquanto o profissional fazia imagens de um duplo homicídio ocorrido na Avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus. O repórter cinematográfico diz ter sido agredido. A Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública vai apurar a conduta do tenente.


Segundo jornalistas que trabalhavam na cobertura da ocorrência policial, o cinegrafista estava ajustando o foco da câmera filmadora quando foi preso por um tenente da PM, que alegou que o profissional estava ultrapassando a faixa de isolamento do cenário de crime. Testemunhas afirmaram que o profissional foi preso sem motivo aparente.


Uma pessoa que acompanhava a situação afirmou que Jackson Rodrigues foi agredido no pescoço e recebeu ameaças do policial. Ele foi detido e colocado no camburão de uma viatura, apesar de não ter resistido à prisão. Exaltado, o PM ameaçou ainda outros repórteres que tentaram conter a situação, afirmando que “havia mais vaga na viatura para quem quisesse”.


A repórter que acompanhava o cinegrafista tentou evitar que o colega fosse levado pela polícia. “Ele é pai de família e só está trabalhando”, disse a jornalista, enquanto o cinegrafista era empurrado para dentro da viatura policial. “Estou apenas fazendo meu trabalho”, justificou um policial para a repórter.


No momento da prisão, o cinegrafista chegou a pedir medicamentos à repórter parceira de equipe. “Eu sou hipertenso. Deixa eu, pelo menos, pegar meus remédios”, disse, já dentro do camburão. Os PMs não permitiram e encaminharam o profissional para o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Centro de Manaus.


De acordo com a Polícia Militar, será aberto um processo admistrativo para apurar a conduta do tenente. A Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública será responsável pelo inquérito. Em nota, o comandante geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Almir David, afirmou que “a corporação respeita o direito de liberdade de imprensa e que não compactua com qualquer tipo de censura ao trabalho dos profissionais de comunicação”.


O cinegrafista foi indiciado por desacato de autoridade, e o policial responderá a Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) por lesão corporal e dano ao equipamento de trabalho. Em entrevista na delegacia, após ser liberado, Jackson afirmou que não invadiu a cena do crime, e que apenas apoiou a câmera por cima da faixa de isolamento. O profissional relatou ainda que foi empurrado no chão pelo policial e agredido com um “mata-leão”.


O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (SJPAM), Wilson Reis, afirmou ao G1 que exigirá uma reunião com o governador do Amazonas, Omar Aziz, para que o exercício da profissão de jornalismo seja garantido em Manaus e que “policiais não impeçam os profissionais de realizar o trabalho”. “Há duas semanas, fizemos uma manifestação devido a diversas agressões que acontecem diariamente em nossa cidade. Não pode ser assim”, acrescentou o sindicalista. O SJPAM deve emitir nota de repúdio ainda nesta quinta-feira (27).

Jornal Midiamax