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Polícia reconstitui crime praticado por deficiente físico em Campo Grande

Autor alega legítima defesa já que, segundo ele, a vítima deu um golpe na testa dele e caiu em cima da faca. No quadril de Rivaldo tem um machucado que indica ser a pressão que a faca fez durante a lesão, o que reforça sua alegação.

Arquivo Publicado em 25/08/2012, às 12h25

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Autor alega legítima defesa já que, segundo ele, a vítima deu um golpe na testa dele e caiu em cima da faca. No quadril de Rivaldo tem um machucado que indica ser a pressão que a faca fez durante a lesão, o que reforça sua alegação.

No final da tarde dessa sexta-feira, 24, o delegado da 6ª DP de Campo Grande, Valmir Messias de Moura Fé e agentes de polícia fizeram uma reconstituição do assassinato de Denivaldo Lima da Silva, 30 anos, o Alemão, que morreu com um golpe de faca na altura da virilha. O crime foi praticado pelo deficiente físico Rivaldo Marques, 44 anos, o Perna.

Rivaldo tem deficiência nas duas pernas e se locomove com um pouco de dificuldade. Alegando legítima defesa, o autor disse que estava na casa da namorada, uma senhora identificada como Sueli, e também na companhia do filho dele um adolescente de 14 anos. Na versão de Perna, por volta das 2h30 da madrugada de sexta-feira, Alemão chegou embriagado à residência e invadiu o quarto onde os três estavam.

Para a polícia, Rivaldo mostrou com o auxílio de um agente que simulou ser a vítima sua versão dos fatos. Ele conta que estava deitado na cama só de cueca na companhia de Sueli e o filho quando houve a invasão. Ele conta que Alemão chegou dizendo que queria beber pinga quando foi repreendido pelo autor. “Eu disse pra ele que não queria porque estava de boa com a mulher. Disse também que estava só de cueca e que era pra ele ir embora”, diz Perna.

Segundo o autor, quando foi mandado embora, Alemão abaixou as calças e levou as nádegas em direção ao rosto de Rivaldo que estava sentado na beira da cama. “Ele disse que também tinha cueca e começou a esfregar a bunda na minha cara”, diz. Depois disto os dois saíram em vias de fato. Alemão, que era capoeirista e bem mais alto, dando chutes e tapas no autor. Neste momento Sueli e o adolescente saíram correndo do quarto.

Segundo Rivaldo, debaixo da cama havia uma faca e seu filho a pegou na tentativa de esconder, mas ele tomou das mãos do adolescente e ficou segurando na altura da cintura e mandando Alemão ir embora. No momento que a vítima deu um chute na testa do autor caiu com a virilha em cima da faca. A lâmina provocou um grande corte e atingiu uma veia importante.

Após esfaquear Alemão, Rivaldo correu para fora, mas a vítima caiu a poucos metros sangrando muito. Ele recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu ao ferimento e morreu. Na tarde dessa sexta-feira tudo ainda estava revirado no quarto, inclusive ainda não tinha sido lavado o sangue e isto ajudou bastante na análise da versão do autor.

O caso foi registrado como lesão corporal seguida de morte. Depois desta reconstituição o delegado Moura Fé vai analisar o caso e decidir se indicia Rivaldo pela mesma prática ou tipifica como legítima defesa.

Jornal Midiamax