Polícia

Polícia nega ter encontrado corpos de estudantes desaparecidos na BA

Grupo saiu do Espírito Santo na sexta-feira para um aniversário, mas não chegou ao destino

Arquivo Publicado em 24/04/2012, às 21h44

None

Grupo saiu do Espírito Santo na sexta-feira para um aniversário, mas não chegou ao destino

O desaparecimento de cinco universitários entre 21 e 28 anos ainda é um mistério que desafia as autoridades policiais do Espírito Santo e da Bahia. Os jovens saíram dos municípios capixabas de São Mateus e Colatina, na noite da última sexta-feira, com destino à cidade baiana de Prado, mas sumiram antes de chegar ao destino. Eles foram vistos pela última vez, por volta de 20h30, num posto de combustível localizado às margens da BR 101 no distrito de Itabatã, município de Mucuri, no extremo sul da Bahia. O grupo parou no posto para fazer um lanche.


“Eles pediram pra gente dois sucos de laranja, um com açucar e outro sem açucar. E depois lancharam”. Eles estavam tranquilos, normais, contou a vendedora da lanchonete, Helaine Santos


A polícia reforçou na manhã desta terça-feira as buscas aos estudantes. O governo capixaba chegou a divulgar nesta terça-feira que os corpos de cinco jovens teriam sido encontrados em uma área de difícil acesso, próximo à localidade de Bela Vista, distante 12 km da sede do município de Posto da Mata. A informação foi dada pelo site Gazeta Online. A polícia já fez buscas na região, não encontrou nenhum carro, e trata a notícia de que os jovens teriam sido encontrados mortos como um boato.


O carro dos jovens teria sido encontrado após um serviço de inteligência da Polícia Civil. No entanto, de acordo com o site G1, o superintendente de Polícia do Interior, Danilo Bahiense, sobrevoou o local e não confirmou a informação. Já o coordenador regional da Polícia Civil no extremo Sul da Bahia, Marcos Vinícius Almeida, disse que as buscas continuam.


“Recebemos a informação e fomos ao local para checar. Sobrevoamos a região de helicóptero e o coronel também nos auxiliou, de carro, mas foi boato. Não encontramos nada. As buscas continuam”, disse ao G1.


Os jovens Amanda, Marlon, Rosa Flor, Isadora e André têm entre 20 e 25 anos. André saiu de carro da cidade de Colatina (ES) e encontrou o restante do grupo em São Mateus, no litoral norte do estado. Eles saíram da cidade e a expectativa inicial era que chegassem na mesma sexta-feira ao destino final.


“Eles estavam indo para a casa de amigos. Não iriam desviar de caminho, fazer outro trajeto. Alguma coisa séria aconteceu”, diz Conceição de Paula, mãe de Amanda.


Eles viajavam para comemorar o aniversário da mãe de Isadora, Doralice Ribeiro, que mora em Prado, no sul da Bahia. Ela fez aniversário na semana passada e aguardava a filha, com os quatro amigos, para uma festa de comemoração que aconteceria sábado à noite.


“O tempo foi passando e a gente começou a ficar preocupado. Comecei a ligar, mas o telefone já não atendia mais”, relatou Doralice.


Em entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo, ela revelou que existe uma possibilidade de crime de vingança contra os jovens, mas não quis dar detalhes do caso e afirmou que a polícia está ciente de todos as informações para seguir a investigação. O superintendente de Polícia do Interior do Espírito Santo, delegado Danilo Bahiense, informou que a mãe tem o direito de falar o que pensa e preferiu não comentar a declaração. Entretando, afirmou que trabalha com a suspeita de que os jovens possam ter sido vítimas de algum crime.


“Não descartamos nenhuma hipótese. Temos que trabalhar com todas as linhas, tanto acidente quanto uma ação criminosa no meio do caminho. Existe um trecho grande, de subida na rodovia, onde vários assaltos já foram registrados. Nós tivemos casos de pessoas que atiraram pedra no parabrisa dos carros, para que os carros fossem parados e as vítimas abordadas”, revelou o delegado.


As investigações do desaparecimento dos cinco jovens capixabas estão sendo feitas pela Polícia Civil da Bahia, com apoio de policiais do Espírito Santo. As equipes já refizeram o trajeto possivelmente percorrido pelos jovens, por terra, e também usam helicópteros nas buscas. Testemunhas também já foram ouvidas por investigadores que estão percorrendo a BR-101, do extremo norte capixaba ao sul da Bahia, mas por enquanto não encontraram nem os jovens, nem o carro usado por ele.


“Eles não iam desviar de caminho, não iam fazer outro trajeto, não iam. Alguma coisa séria está acontencendo com esses meninos”, desabafou chorando, Conceição de Paula, mãe de uma das jovens.


No sábado, familiares, amigos e professores percorreram os 120 quilômetros entre as cidades de São Mateus e Prado. Eles fizeram o trajeto num comboio formado por pelo menos dez veículos. A notícia do desaparecimento ganhou destaque na internet, com várias mobilizações nas redes sociais. Amigos compartilham as fotos dos jovens e pedem que as pessoas entrem em contato no caso de alguma informação.


“Estamos renovando a esperança a cada minuto, recebemos muita notícia ruim, muito trote, muita coisa sem sentido. É muito difícil. Nossa posição é permanecer aqui até ter uma informação concreta do delegado ou de fonte oficial” disse a mãe de Rosaflor, Márcia Pereira de Oliveira.


Os jovens Amanda, Isadora, Marllonn e Rosaflor são estudantes do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), localizado em São Mateus. Já André, único do grupo que não morava em São Mateus, era amigo de Marllonn, que teria feito o convite para ele viajar com o grupo para Prado.


Região onde jovens desapareceram é abandonada


Há três anos, no mesmo trecho onde os jovens desapareceram, um empresário de 57 anos, que prefere não ser identificado, relata que passou o maior susto de toda a sua vida. Ele e o irmão foram assaltados por três rapazes armados, no trevo que dá acesso à Posto da Mata, na Bahia, e obrigados a levar os assaltantes até uma estrada de chão no meio de uma plantação de eucalipto. O empresário tem uma fazendo em Cumuruxatiba, próximo a Prado.


“Aquela região próxima à divisa é completamente abandonada. Os bandidos agem e usam plantações de eucalipto como escudo. Não há quase nenhum policiamento ali”, contou o empresário em entrevista ao jornal A Gazeta. O empresário disse ainda que os rapazes pareciam descontrolados.

Jornal Midiamax