Polícia

Justiça começa a ouvir testemunhas de assassinato de estudantes

Seis acusados pela morte dos jovens participam da audiência e a juíza pretende ouvir pelo menos cinco réus ainda hoje. Além deles, ainda participam 18 testemunhas de acusação e cinco de defesa.

Arquivo Publicado em 17/12/2012, às 17h37

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Seis acusados pela morte dos jovens participam da audiência e a juíza pretende ouvir pelo menos cinco réus ainda hoje. Além deles, ainda participam 18 testemunhas de acusação e cinco de defesa.

Teve início na tarde desta segunda-feira (17), a 1ª audiência sobre a morte dos universitários Leonardo Batista Fernandes e Breno Lugui Silvestrini de Araújo, ocorrida no dia 30 de agosto de 2012. A audiência de instrução e julgamento está sendo realizada na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, pela juíza titular Eucélia Moreira Cassal.

Seis acusados pela morte dos jovens participam da audiência e a juíza pretende ouvir pelo menos cinco réus ainda hoje. Além deles, ainda participam 18 testemunhas de acusação e cinco de defesa. Entre as testemunhas de acusação está a delegada titular da Defurv (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), Maria Lourdes de Souza.

Antes de iniciar a audiência, a advogada criminalista Adelaide Benites Franco, que defende Weverson Gonçalves Feitosa (vulgo Japinha), Daiane e Raul, disse ao Midiamax que, devido a grande repercussão do crime, os fatos devem ser muito bem analisados.

“O forte apelo popular pelo julgamento não pode ser motivo para que não seja analisado cada ponto do crime. O Japinha, por exemplo, é viciado e isso tem que ser avaliado.”.

O advogado de Jovilton Jackson Leite Almeida, Marcílio Lins, explica que seu cliente era o receptador da caminhonete e que por isso não deveria ser julgado no mesmo processo.

Família

O pai de Breno – Rubens Silvestrini, contou que espera que a justiça seja feita e que está na audiência para ajudar a justiça. “Tenho receio de encontrar os assassinos na rua. A gente vê muito se falar em justiça e pensamos que todos têm direito a defesa, mas porque matar meninos de bem.”.

Sobre o motivo de estar separado em uma sala diferente de onde os acusados estão Rubens falou: “Me recuso a ver esses assassinos. Com certeza não tiveram amor de pai e mãe.”.

Crime

De acordo com o inquérito policial, Daiane Aguirre, seu marido, Rafael Costa da Silva e Weverson – o Japinha, Raul e um adolescente teriam planejado por dias o roubo de uma caminhonete. E, no dia 30 de agosto, os jovens foram abordados próximos a um bar, em Campo Grande, e rendidos com um revólver calibre 38. Os acusados subtraíram o veículo Mitsubishi Pajero que estava com os universitários.

O grupo seguiu viagem sentido fronteira, em Corumbá, sendo que nas proximidades da rotatória existente na BR 262, saída para Terenos, as vítimas teriam sido executadas cada uma com um tiro na cabeça. Em seguida, enquanto Raul de Andrade Pinto, Daiane e Japinha seguiram com a caminhonete roubada para Corumbá, o adolescente retornou para Campo Grande em outro veículo dirigindo-se até a casa do comparsa Rafael, onde ambos teriam queimado os documentos das vítimas.

A juíza titular da 3ª Vara Criminal, Eucélia Moreira Cassal, concedeu o pedido da defesa de Daiane e Raul para a instauração de incidente de insanidade mental, em razão da alegação da defesa de que eles seriam usuários de drogas.

O réu Weverson, vulgo Japinha, também solicitou a instauração de incidente de insanidade mental, sendo já submetido a exame pericial cujo laudo concluiu que ele era completamente capaz de entender o caráter criminoso de seu ato e tinha controle da situação. No entanto, a defesa discordou do resultado e pediu que o acusado fosse submetido a novo exame. A juíza negou o pedido, pois não foi apontado nenhum vício ou defeito do exame realizado.

A defesa do acusado Raul. requereu que o processo tramitasse em segredo de justiça. O pedido foi negado pela magistrada que afirmou que o sigilo deve ser assegurado somente quanto ao processo que tramita na vara da Infância e Juventude contra o adolescente envolvido no caso. Quanto aos demais réus, o processo continuará a tramitar sem a decretação de segredo de justiça.

Jornal Midiamax