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Polícia reconstitui morte na Orla; amigo do pivô diz que fez ligação que atraiu autor

Adolescente que seria o pivô das brigas que terminaram na morte de Thiago Fedossi, fez parte do trabalho de reconstituição. Amigo dele assumiu que fez ligação chamando "reforço" depois de confusão

Arquivo Publicado em 22/09/2011, às 18h56

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Adolescente que seria o pivô das brigas que terminaram na morte de Thiago Fedossi, fez parte do trabalho de reconstituição. Amigo dele assumiu que fez ligação chamando “reforço” depois de confusão

O adolescente de 16 anos que seria o pivô da briga que acabou na morte de Thiago Fedossi Silva, no dia 16 de setembro, na Orla Morena, em Campo Grande, participou da reconstituição do crime no final da manhã desta quinta-feira (22). Segundo o delegado da 1ª DP, Miguel Said, o jovem que tem apelido de “Justin Bieber” negou que encomendou a morte do rapaz e, inclusive, um amigo dele, que tem 18 anos, assumiu que fez uma ligação no dia do fato chamando “reforço” depois de uma discussão para dar um “susto” no grupo rival.

De acordo com o delegado, por meio de depoimento de alunos da escola Maria Constança Barros Machado, onde a vítima estudava, e também “Justin Bieber”, toda confusão começou há um mês quando um rapaz chamou o adolescente de “padeiro”. “Justin” não gostou e ficou sabendo quem seria o “mandante” da piada e foi reclamar. Depois disto o apelido indesejado começou a circular na escola.

Na quinta-feira, um dia antes do crime, o rapaz que seria o “inventor” do apelido “padeiro” estava em um ponto de ônibus perto da escola, em visível estado de embriaguez, e mais uma vez chamou “Justin Bieber” pelo apelido indesejado.

Na noite do crime, na versão de “Justin Bieber”, ele e um amigo de 18 anos chegaram à escola e avistaram um grupo conversando próximo ao portão e, inclusive, aquele que na noite anterior estava embriagado e teria tentado uma confusão. De acordo com o adolescente, seu colega chamou o “apelidador” e teria sugerido que aquele “rolo” terminasse para que tudo ficasse bem.

Na versão de “Justin” no momento que ele e o amigo tentavam selar paz, Thiago Fedossi teria chegado e dado dois murros no peito dele e foi aí que o amigo do adolescente falou que aquilo não ficaria assim.

Conforme testemunhas e o próprio amigo de “Justin”, o rapaz indignado fez uma ligação para alguém que chegou até a escola num veículo modelo Doblô com mais duas pessoas, inclusive aquele que seria o autor dos disparos. “Justin e o colega também embarcaram, no veículo e depois seguiram para a Orla Morena.

O grupo teria dado algumas voltas pela Orla Morena até encontrar o grupo que Thiago estava. Um ficou no veículo e os demais desceram. O motorista chegou e perguntou quem foi que “mexeu” com Justin e o grupo apontou Thiago. A vítima foi repreendida e advertida para não mais fazer aquilo. Thiago foi agredido fisicamente pela primeira vez quando se aproximou o autor dos disparos. Quando o motorista foi dar o segundo tapa, o rapaz de 21 anos sacou uma arma e disparou uma vez, mas o tiro não acertou a vítima.

Depois do primeiro tiro, Thiago teria se afastado e se juntado ao grupo que começou a se desfazer. Em seguida todos começaram a correr e o autor atirou mais duas vezes, sendo que um dos tiros atingiu a região lombar e o rapaz acabou morrendo momentos depois na Santa Casa de Campo Grande, após de ser socorrido por bombeiros.

A polícia já identificou grande parte dos adolescentes e adultos que presenciaram as discussões anteriores e também o momento dos disparos. Agora falta a prisão do autor, já identificado e saber de quem era a arma do crime. O adolescente pivô de toda situação nega que teria conhecimento de que alguém do grupo de “reforço” estava armado.

Apelido

Na gíria, “padeiro” significa basicamente duas coisas: uma delas remete a sexualidade como alguém que “queima a rosca”. A segunda seria para aquele que “amassa, amassa, mas os outros comem”. No caso de “Justin” a polícia prefere não comentar o porquê do apelido. Ele foi ouvido na tarde desta quinta-feira na 1ª DP. Também já passou pela Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente, onde espontaneamente se apresentou e logo em seguida foi encaminhado para uma Unei, onde permanece internado.

Jornal Midiamax