Polícia

Foragido, rapaz acusado de matar jovem em racha se apresenta à polícia

Anderson de Souza Moreno foi flagrado em fevereiro deste ano dirigindo sem CNH; em junho passado, ele teria provocado o acidente que motivou a morte de Mayana, de 23 anos de idade. Ele era considerado foragido da Justiça

Arquivo Publicado em 14/03/2011, às 12h35

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Anderson de Souza Moreno foi flagrado em fevereiro deste ano dirigindo sem CNH; em junho passado, ele teria provocado o acidente que motivou a morte de Mayana, de 23 anos de idade. Ele era considerado foragido da Justiça

Anderson de Souza Moreno, de 19 anos, acusado de provocar a morte de Mayana de Almeida Duarte, 23, ocorrida em junho do ano passado, durante uma racha na avenida Afonso Pena, centro de Campo Grande, apresentou-se na manhã desta segunda-feira (14) na 1ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

Contra Anderson havia um mandado de prisão em aberto por determinação do juiz Aluízio Pereira dos Santos, pois o jovem foi flagrado dirigindo sem CNH (Carteira Nacional de Habilitação) no dia 13 de fevereiro. Com o acidente que provocou a morte de Mayana, Anderson teve sua carteira cassada.

O juiz determinou a prisão de Anderson no dia 28 de fevereiro. Para cumprir o mandado, policiais chegaram até a se infiltrar em festas de carnavais onde Anderson poderia estar.

O advogado do rapaz, Antônio Carlos Castilho, entrou com habeas corpus para poder livrar Anderson da prisão, porém esse pedido foi negado pela Justiça. O acusado chegou à delegacia acompanhado dos pais, irmã e do advogado.

Júri Popular

No dia 2 de março, o juiz Aluízio Pereira dos Santos determinou que Anderson e o colega dele Wilian Johny de Souza Ferreira, de 25 anos, vão a júri popular no dia 30 de março por terem causado a morte de Mayana.

Anderson Moreno, segundo o despacho do juiz, já havia matado um motociclista no trânsito. O rapaz dirige desde os 14 anos de idade e, até hoje, não possui carteira de habilitação.

No dia do acidente, Moreno dirigia um Vectra e o colega Wilian, um Uno. Eles seguiam pela Afonso Pena rumo ao Parque dos Poderes. Mayana teve o Celta arrastado pelo Vectra no cruzamento com a rua José Antonio. A jovem morreu 12 dias após o acidente. Durante os depoimentos um rapaz mentiu ao dizer que o sinaleiro estava aberto para a dupla. Logo depois, ele desfez sua declaração, daí foi perdoado pelo magistrado e escapou de punições. Note trecho da decisão do juiz que determinou a prisão de Anderson e o julgamento da dupla:

“PRONUNCIO os acusados ANDERSON DE SOUZA MORENO e WILLIAN JHONY DE SOUZA FERREIRA no artigo 121, § 2º, incisos I (motivo torpe) e IV (recurso que dificultou a defesa da vítima) do CP, bem como artigos 306 e 308 da Lei 9.503/97 (Código de Trânsito). Caso não haja recurso, desde já fica agendado o dia 30 de março de 2011, às 08 horas para julgamento dos acusados perante o Tribunal do Júri. Por outro lado tem fundamento o pedido de prisão preventiva feito pelo Promotor em face do acusado Anderson. Isto porque, segundo as provas dos autos dirige veículo desde adolescente, aliás confesso que aprendeu a dirigir aos quatorze anos, e nesta condição, aos dezesseis anos, se envolveu em um acidente automobilístico resultando na morte de um motociclista. Não bastasse, aos dezessete anos de idade pegou a chave da motocicleta de seu irmão, escondida, quando foi abordado pela PM de trânsito, inclusive trazendo na garupa um amigo que estava sem capacete e uma latinha de cerveja em uma das mãos. Acresce-se que logo após completar a maioridade penal, em 05.02.2.010, na condução do veículo GM/Kadett foi multado em R$319,22 (trezentos de dezenove reais e vinte e dois centavos) por desobedecer ordens da autoridade de trânsito, avançando o sinal vermelho do semáforo existente justamente nos cruzamentos da Afonso Pena com a Rua 25 de Dezembro, fls. 82/89 e 214. Assim, não obstante os fatos supracitados, demonstrando indiferença com a legislação, aliás nem mesmo com a nova colisão que resultou na morte de Mayana, meses após, com outro veículo, GM/kadett, cor vermelha, aliás equipado para fazer “racha” foi detido dirigindo sem possuir habilitação (até porque estava apreendida por conta da morte de Mayana) e, pior, na contramão de direção, conforme ocorrência lavrada em 13.02.2011. Isto revela descaso e desrespeito com a legislação de trânsito e leis penais, bem como com a incolumidade pública, justificando, portanto, a sua prisão preventiva para resguardar a ordem pública e assegurar a efetiva aplicação da lei penal nos termos do artigo 312 do CPP. Expeça-se mandado de prisão em desfavor de ANDERSON DE SOUZA MORENO. Defiro o pedido da defesa de Anderson, formulado nas alegações finais, para ouvir as testemunhas Diego e “Luk” no julgamento acima designado, sem prejuízo de outras eventualmente arroladas na fase do artigo 422 do CPP. Atualizem-se os antecedentes, dos acusados e vítima, de forma circunstanciada [se há inquérito policial, qual a infração e fase; se ação penal, qual a infração, em que está incurso, qual a fase processual se em andamento, se já houve sentença (absolutória, condenatória, etc), se há Guia de Recolhimento, etc]. Publique-se. Registre-se. Cumpra-se. Campo Grande, 28 de fevereiro de 2011. Aluízio Pereira dos Santos Juiz de Direito”.

(Colaboração Celso Bejarano)

Jornal Midiamax