Polícia

Demora no atendimento policial em Campo Grande gera reclamação de leitora

Indignada, leitora questionou o porquê da demora. Ela disse que PM informou que demora se deve a falta de viaturas e que governo orienta para que “segure as viaturas no pátio”.

Arquivo Publicado em 21/10/2011, às 16h49

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Indignada, leitora questionou o porquê da demora. Ela disse que PM informou que demora se deve a falta de viaturas e que governo orienta para que “segure as viaturas no pátio”.

Pesquisa divulgada nesta semana pelo CNI-Ibope revela que 51% da população consideram a segurança pública ruim ou péssima. O estudo foi realizado com 2.002 entrevistados a partir de 16 anos em 141 cidades. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.


Os números revelam que a insatisfação se tornou comum. Nesta semana, uma leitora do Midiamax entrou em contato com a redação para reclamar da demora no atendimento da polícia. Segundo ela, ao acionar a Polícia Militar, via 190, para atender uma ocorrência a viatura demorou cerca de duas horas para chegar ao local.


Indignada, questionou para o policial o porquê da demora. A leitora disse que o PM informou que a demora no atendimento se deve a falta de viaturas e que o governo orienta para que “segure as viaturas no pátio”.


O comandante geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto Davi dos Santos, nega que o governo faça essa orientação e disse que a denúncia é infundada e mentirosa. Entretanto, ele confirma que existe uma triagem para atender as ocorrências, pois a demanda de atendimento é muito maior que a capacidade.


“Não existe essa história de não atender. Trabalhamos da melhor maneira possível. A demanda é muito grande”, completou.


Segundo ele, diariamente, o 190 recebe cerca de 3,5 mil ligações, apenas na capital. Ele não informou o número de viaturas em funcionamento em Campo Grande para atender essas ocorrências, pois, segundo ele, isso compromete o trabalho da polícia e estimula a criminalidade.


Questionado se isso estimularia o crime apenas se não houvesse problemas no atendimento foi categórico: “País nenhum no mundo tem uma segurança ideal”.


O comandante informou que em todo o estado há 1,596 mil veículos. Ele não soube precisar quantos estão funcionando e quantos estão em conserto.


Na avenida Filinto Muller, próxima a Defurv (Delegacia de Repressão a Furto e Roubos) há uma oficina que conserta as viaturas da cidade. No pátio foram contados cerca de 40 veículos parados. Número insignificante, diante das 1,596 mil, segundo o coronel Davi.


Burocracia


O problema está na demora. O comandante explicou que o local, na verdade, se trata de uma espécie de garagem, onde as viaturas ficam até serem encaminhadas para conserto. Até chegar lá, elas passam por uma maratona.


Primeiro, as viaturas são avaliadas neste local para ver o que precisa ser consertado. Depois essas informações vão para o site da SAD (Secretaria do Estado de Administração). Aí com os dados já computados é aberto um leilão reverso. O que é isso? As oficinas credenciadas acessam o leilão e dão o lance para o conserto, quem oferecer o menor lance ganha e irá consertar a viatura.


Com a demora no conserto, carros que deveriam estar na rua fazendo patrulhamento estão parados no pátio da oficina. Esperando que todo o processo seja realizado.


Divergências


Apesar de o comandante ter afirmado que as viaturas vão para lá para verificar o que precisa ser consertado, o único mecânico do local informou que as viaturas são consertadas no local e que ele trabalha sozinho.


Governo


A assessoria do governo reafirmou que a polícia não deixa de atender, mas checa com o usuário se a ocorrência é caso de polícia.


Segundo a assessoria, muitas vezes, as pessoas chamam a polícia para atender casos que não precisa da intervenção policial. “Não há omissão no atendimento. Fazemos uma checagem para que não haja demora”, disse.


Ainda segundo a assessoria, em via de rega, os serviços públicos trabalhavam com a demanda muito maior que a oferta.


Estudo CNI-Ibope


Dentre os 2.002 entrevistados, 36% consideram a segurança pública regular e apenas 12% avaliaram como ótima ou boa. O percentual de entrevistados que avaliaram a situação da segurança pública como ruim ou péssima, como já citado, chega a 58% entre o Nordeste e 57% entre periferias das capitais brasileiras.


Durante a execução da pesquisa, foi apresentada uma lista de 23 problemas que o País estaria enfrentando. Com os resultados finais, foi montado o ranking problemático e a saúde foi apontada por 52% da população como o maior desafio do Brasil. Em segundo lugar, a segurança pública seguida pelas drogas com, respectivamente, 33% e 29% de escolha.


Sendo o estudo focado na percepção dos brasileiros sobre a segurança pública, nos desdobramentos da pesquisa, pode-se descobrir que as Forças Armadas e a Polícia Federal são reconhecidas pela população como as instituições mais eficientes em assuntos de segurança; o Congresso Nacional e o Poder Judiciário são considerados os mais ineficientes.


Violência e a criminalidade


O estudo revelou ainda que 30% dos entrevistados já sofreram diretamente com a violência no último ano. Entre os participantes, 9% foram furtados, assaltados ou agredidos, 19% possuem um parente que sofreu algum desse tipo de violência e em 2% os dois sofreram diretamente com o tema. A causa principal da violência no País é o uso de drogas, segundo os entrevistados. Outro ponto interessante é a afirmação de que 80% dos brasileiros já mudaram seus hábitos devido à violência. A mudança mais frequente relatada pelos entrevistados é o ato de evitar andar com dinheiro nas ruas.


Para mudar a realidade do País, a população acredita que o caminho seria o combate direto ao tráfico de drogas. A sociedade também defende punições mais duras contra o crime, sobretudo mais violentos. Porém, os participantes da pesquisa se mostraram incertos sobre a execução da pena de morte no País. Entre as conclusões do estudo, pode-se dizer que os brasileiros não acreditam que a legalização da maconha não irá reduzir a criminalidade.


Penas mais rigorosas


A população brasileira defende penas mais rigorosas para os crimes violentos. Dentre os entrevistados, 79% concordam total ou parcialmente que penas mais rigorosas reduzem a criminalidade. Por maior rigor nas penas, 69% da população é favorável à prisão perpétua. No entanto, 15% são totalmente contra essa medida. No caso de crimes leves, 82% dos entrevistados são a favor total ou parcialmente da aplicação de penas alternativas à prisão como, por exemplo, trabalho comunitário.


De acordo com a pesquisa CNI-Ibope, a população está rigorosamente dividida sobre a aplicação da pena de morte no Brasil: 46% são favoráveis (31% totalmente e 15% parcialmente) e 46% são contrários (34% totalmente e 12% parcialmente). O gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, que divulgou o estudo, enfatizou que tais dados demonstram haver grande vontade da sociedade no combate à violência.


(Com informações do site Último Segundo)

Jornal Midiamax