Polícia

“Vigia tem que usar o apito porque se fizer serviço da polícia, vai morrer”

Alerta é do vigilante Divino Rodrigues, que há sete anos trabalha no Carandá, onde um guarda foi alvejado ontem à noite; bairro conta com aparato da PM, mas moradores reclamam da alta incidência de furtos e roubos

Arquivo Publicado em 29/03/2010, às 15h35

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Alerta é do vigilante Divino Rodrigues, que há sete anos trabalha no Carandá, onde um guarda foi alvejado ontem à noite; bairro conta com aparato da PM, mas moradores reclamam da alta incidência de furtos e roubos

“(…) O vigia noturno José Modesto Pereira Neto, 47, foi atingido por dois tiros, um no ombro e outro no abdômen, na Rua Vitório Zeolla, Bairro Carandá Bosque, ontem à noite por volta das 19h”. [Notícia publicada no Midiamax ontem dia 28 de março]


“(…) Pedro Eudes de Moura, 51, foi assassinado enquanto trabalhava na esquina das ruas Santo André e Santa Mônica. Foram golpes de faca na barriga, costas, mas a morte teria sido provocada por um único tiro em sua nuca. Pelas características, a polícia suspeita de que o vigilante lutou antes de morrer alvejado pela própria arma”. [ Crime aconteceu no Bairro Santa Luzia e a matéria foi ao ar dia 17 de março]


Para o vigilante Divino Aparecido Rodrigues, 39, que há sete anos trabalha no Bairro Carandá Bosques, os episódios de violência registrados em Campo Grande são um alerta. “Vigia tem que usar o apito porque se fizer serviço da polícia vai morrer”, afirma.

Rodrigues soube o que aconteceu com o colega Pedro Eudes de Moura, 51, alvejado na noite de ontem. Quando fazia a ronda de motocicleta na Vitório Zeolla, ele viu dois adolescentes parados na esquina com Rua Nelson de Borges. Ele suspeitou dos jovens e se aproximou, relatam moradores.

“Me disseram que os adolescentes se apavoraram, atiraram contra Seu Pedro e fugiram. O outro vigia foi socorrê-lo”, conta o empresário, dono de uma locadora no bairro, Anderson Jorge Medeiros, 33. “Seu Zé está na Santa Casa e está bem e não corre risco”, afirma o comerciante.

Alerta

Preocupado com a situação do colega, o vigia Rodrigues alerta que, nesses casos, a melhor forma de abordagem é ficar de longe e assoprar o apito – um sinal de que o local tem proteção – e se houver necessidade, pedir a ajuda da PM através do 190. A aproximação, segundo ele, é arriscada e nunca deve ser feita. O trabalho de prisão tem que ser da polícia, explica Medeiros.

“Em 2001, quando vim trabalhar aqui, um guarda tinha dado parte de um ladrão que voltou e se vingou. O guarda foi morto”, lembra o vigilante.

Patrulhamento no Carandá Bosques

A presença da PM (Polícia Militar ) no Carandá Bosques é diária. No local, de classe média alta, é movimentado o comércio na Rua Vitório Zeolla, onde estão locadoras, supermercados, restaurante, academias e postos de gasolina.

Nesta manhã, dois policiais militares em motocicletas estavam parados fazendo o trabalho de prevenção em frente ao parque do bairro. Segundo eles, é raro acontecer um assalto no local. Mas, admitem que à noite, quando o patrulhamento acontece de carro, a situação é mais complicada. Sobre o fato de o vigilante ter sido alvejado, eles preferiram não comentar o caso.

Jornal Midiamax