Polícia

Justiça argentina manda prender ex-militar acusado de mais de 600 crimes durante a ditadura

A polícia da Argentina prendeu hoje (23) o ex-oficial naval Carlos Galian, conhecido pelo apelido de Peter Ball, que era considerado elemento-chave durante a ditadura militar no país (1976-1983).Ele é acusado de mais de 600 crimes de violação de direitos humanos. Galian era um dos homens de confiança do comando do centro de detenção clandestino […]

Arquivo Publicado em 23/03/2010, às 17h50

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A polícia da Argentina prendeu hoje (23) o ex-oficial naval Carlos Galian, conhecido pelo apelido de Peter Ball, que era considerado elemento-chave durante a ditadura militar no país (1976-1983).Ele é acusado de mais de 600 crimes de violação de direitos humanos. Galian era um dos homens de confiança do comando do centro de detenção clandestino que funcionava na Escola de Mecânica da Marinha (ESMA).


A ordem de prisão do ex-oficial foi expedida pelo juiz federal Sergio Torres. As informações são da agência oficial de notícias argentina Telam. De acordo com a Telam, Galian foi considerado a “pedra angular” do funcionamento do centro de detenção clandestino. Conforme depoimentos de sobreviventes do período da ditadura, Galian era tido como sendo de máxima confiança dos comandantes do local.


Durante a ditadura militar na Argentina, segundo dados oficiais, passaram pelo centro de detenção clandestino da ESMA cerca de 5 mil pessoas. O espaço do cassino da escola era usado como local para alojamento e tortura dos contrários ao regime militar.


O edifício de três andares virou uma espécie de símbolo da opressão para os argentinos. Alojados, os presos ficavam inicialmente no terceiro andar, chamado de “capa”. Para o porão do prédio, eram levados aqueles que seriam “transferidos”.


No final da ditadura militar, em 1983, o edifício novamente se transformou em área de instrução militar. Em 1998, o ex-presidente Carlos Menem assinou um decreto determinando a transferência das instalações da ESMA para a Base Naval de Puerto Belgrano.


De acordo com o decreto, o espaço deveria ser transformado em área verde para uso público, com a implantação do símbolo da unidade nacional. A demolição do edifício também está definida nesse documento.

Jornal Midiamax