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Argentina tem onda de protestos após Justiça pedir prisão de líder das Mães de Maio

Prisão de Hebe Bonafini foi decretada na quinta

Norberto Liberator Publicado em 05/08/2016, às 15h22

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Prisão de Hebe Bonafini foi decretada na quinta

Depois de ordem da Justiça argentina para detenção da ativista de direitos humanos Hebe Bonafini, presidente da ONG ‘Madres de Mayo’ (Mães de Maio), que se dedica a investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar argentina, diversos militantes e apoiadores têm se posicionado contra a prisão da líder.

De acordo com o jornal argentino Clarín, o pedido, feito na última quinta-feira (4), deve-se a uma acusação de que Hebe teria desviado recursos públicos, em programa de construção de casas populares, durante as gestões de Nestor e Cristina Kirchner. Na era kirchnerista, a entidade recebeu milhões de pesos em ajuda financeira do governo.

O projeto ‘Sueños Compartidos’ (em português ‘sonhos compartilhados’), prevê as construções de residências para comunidades carentes. A investigação apura se Hebe utilizou os recursos, doados pelo governo, em benefício próprio.

Hebe Bonafini tem 87 anos e dois de seus três filhos foram sequestrados e desaparecidos durante o regime militar da Argentina, considerado uma das ditaduras mais repressoras da América Latina. Ela preside a Associação das Mães de Maio desde 1979.

A instituição é uma das mais conhecidas do país, com destaque internacional. Ela foi criada por mães e avós de desaparecidos ou mortos pela ditadura. Uma das principais campanhas festas pela organização, que existe até hoje, é a de encontrar os filhos de militantes mortos.

Estima-se que cerca de 500 crianças tenham sido sequestradas e criadas em lares de outras famílias, sem sequer saber que foram adotadas. A ação das Mães de Maio fez com que mais de 100 filhos fossem encontrados.

Jornal Midiamax