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A monja alcoólatra que fundou monastério ‘detox’ na Tailândia

Mulheres não podem ser monges na Tailândia

Diego Alves Publicado em 04/04/2016, às 01h50

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Mulheres não podem ser monges na Tailândia

Há 50 anos, Luang Poh Yaai já vivia como uma monja budista – a primeira na Tailândia, onde mulheres não podem ser monges pelas regras da própria religião. Hoje algumas delas contornam a proibição sendo ordenadas no exterior e voltando ao país para viver em monastérios para mulheres.

O templo de Wat Thamkrabok fica no pé de uma montanha na zona rural de Bangcoc. O jardim é coberto por árvores antigas. Uma vez por dia, seus residentes temporários se ajoelham junto a uma grade que cobre um bueiro e respiram profundamente. Ao lado de cada um deles há um balde cheio de água. Um monge serve um copo com um líquido escuro que retira de uma garrafa antiga. Eles bebem.

Em segundos os homens começam a vomitar nos bueiros. Os monges oferecem apoio e água a eles. As pessoas que passam por isso são todas dependentes de álcool ou drogas. E foi Luang Poh Yaai que deu início ao programa de desintoxicação ao tratar o vício em ópio em 1959. Ela era uma excelente herbalista, e essa bebida dada aos dependentes ainda é feita usando a fórmula dela.

Ao lado do templo fica um workshop, a área em que trabalha Luang Pi Ai, um dos monges. Em uma mesa antiga, há dezenas de estátuas sendo feitas – todas representações de Luang Poh Yaai. E há uma estátua dela em tamanho real.

"Fiz isso há 30 anos", explica Luang Pi Ai. "Foi um dos meus primeiros e meu melhor, porque fiz com a alma."

Ele foi ordenado no templo aos 19 anos, e tem um motivo especial para se sentir grato a Luang Poh Yaai. "Meu pai foi o primeiro dependente a ser tratado aqui com sucesso", diz. "Ele era viciado em ópio – naquela época, só havia ópio. Depois de seguir o programa aqui ele nunca mais tocou em drogas."

Os detalhes do início da vida de Luang Poh Yaai não são completamente conhecidos. De acordo com Ian G. Baird, da Universidade de Wisconsin-Madison, quando criança ela alegava que lembrava das vidas passadas e se comunicava com espíritos. Depois ela se casou e teve dois filhos, mas foi abandonada pelo marido e passou a viver em uma favela de Bangcoc, onde virou alcoólatra.

Por volta dos 40 anos, Luang Poh Yaai supostamente voltou a lembrar de vidas passadas, parou de beber e virou uma freira budista, ou mae chee. Em 1957 ela fundou o templo com seus dois sobrinhos. A esta altura ela já estava usando trajes de monge.

"Um dia ela entendeu a verdade, e mudou as roupas imediatamente – não houve ordenação formal", diz a atual abade do templo, Phra Ajahn Boonsong, que estudou sob supervisão de Luang Poh Yaaipor três anos até ela morrer, em 1970.

Jornal Midiamax