Mundo

‘O chão tremia; fugimos de pijama’, diz brasileira que viu erupção no Chile

Casal estava ao lado do vulcão Calbuco e filmou início da erupção e fuga

Clayton Neves Publicado em 24/04/2015, às 19h17

None
vulcao2.jpg

Casal estava ao lado do vulcão Calbuco e filmou início da erupção e fuga

De férias com o marido australiano no sul do Chile, a brasileira Neusa Rohde, de 58 anos, estava tirando fotos da paisagem quando entrou no quarto da pousada para carregar o celular. De repente, sentiu um tremor no chão, “parecido ao de uma betoneira trabalhando”. Abriu a janela e viu um cenário de filme: o vulcão Calbuco, a menos de 2 km de onde ela estava,  acabara de entrar inesperadamente em erupção, após quase 50 anos adormecido.

Era quarta-feira (22), perto das 18h. Eles pegaram documentos e dinheiro e fugiram de lá, “praticamente de pijama”. Sentiam o calor do vulcão chegando perto. “Foi assustador. Um pânico, um pavor. Não sabíamos que rumo tomar, se íamos para a esquerda ou para a direita, onde ficaríamos a salvo”, contou ela ao G1.

Dez quilômetros adiante, na cidade de Puerto Varas, policiais distribuíam máscaras e orientavam as pessoas. Havia engarrafamentos e filas nos postos de gasolina.

 “Tudo foi muito organizado, mas isso não evitou o pânico. Os carros furavam o sinal vermelho. Passamos por duas escolas e só se viam mães correndo desesperadas atrás dos filhos. O chão tem mais de 20 cm de pedras e cinzas expelidas pelo vulcão”, relata a brasileira.

Ela e o marido conseguiram pegar um atalho por uma estrada de terra para acessar a rodovia. Pararam à 1h da madrugada, para dormir. Ou melhor, para não dormir. “Durante a noite ouvíamos explosões, o chão tremia. Isso porque estávamos a 50 km do vulcão. Foi apavorante. A gente não dormiu nada, nada.”

Fuga
Agora, os dois estão tentando achar um jeito de sair do país. Tentaram por Bariloche, mas as fronteiras estão fechadas. Estão indo em direção ao norte, procurando outra fronteira com a Argentina que esteja aberta. Se não conseguirem, talvez tenham que ir até Santiago.

Neusa diz que a situação nas cidades próximas ao Calbuco está crítica. “A região está em alerta vermelho. As pessoas estão todas em abrigos. A água dos rios está poluída. Os animais estão à mercê da própria sorte, sem água, sem alimento.”

Eles tinham acabado de chegar a Ensenada e pretendiam ficar cinco dias. “Pagamos a pousada adiantado, tinha muita coisa linda para a gente conhecer: rios, lagos cachoeiras. Tudo foi suspenso porque o vulcão Calbuco nos pregou uma peça. Foi uma fatalidade. É um país maravilhoso, um dia queremos voltar.”

As malas do casal ficaram para trás, na pousada. “Deixamos muitas coisas lá. Mas o importante é voltar em segurança e dar um forte abraço nos nossos filhos”, diz.

Jornal Midiamax