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Indonésia enfrenta crise diplomática após execução de oito estrangeiros

Entre os mortos está o brasileiro Rodrigo Gularte

Gerciane Alves Publicado em 29/04/2015, às 12h27

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Entre os mortos está o brasileiro Rodrigo Gularte

A Indonésia enfrenta uma crise diplomática menos de 24 horas depois da execução de oito condenados por tráfico de drogas. Entre os mortos está o brasileiro Rodrigo Gularte, preso há 11 anos com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Veja na reportagem do enviado especial Rodrigo Alvarez.

Só uma pessoa respira aliviada nesta quarta-feira (29) na Indonésia. No último minuto, quando estava tudo pronto para os fuzilamentos, a filipina Mary Jane Veloso foi poupada. Mary Jane foi presa em 2010 com 2,5 quilos de cocaína na mala e sempre disse que tinha sido enganada por uma quadrilha com a falsa promessa de trabalho na Indonésia. Mary Jane disse que eles tinham colocado a droga na sua mala sem que ela soubesse. Ela foi salva no último minuto porque uma mulher – supostamente a que recrutou a jovem nas Filipinas – foi até a polícia e confessou a participação dela no caso.

Durante a madrugada, ignorando os apelos internacionais, inclusive do secretário-geral da ONU, a Indonésia executou os outros oito condenados –  três nigerianos, um ganês, um indonésio, dois australianos e o brasileiro Rodrigo Gularte.

Os advogados dele protestaram até o último minuto, questionando a decisão do presidente Joko Widodo de negar o pedido de clemência a um prisioneiro que, segundo atestados médicos apresentados por eles, tinha problemas mentais.

A prima de Rodrigo, Angelita, contou que ele alternava momentos de delírio – acreditando que não seria executado – e de lucidez, como no domingo, quando pediu que seu corpo não fosse cremado na Indonésia. Ele queria voltar para casa, mesmo que fosse morto, para ser enterrado em Curitiba, onde nasceu.

As pessoas acompanham na TV e discutem o tempo todo o que aconteceu. A Austrália, vizinho muito importante e parceiro comercial da Indonésia, manifestou repúdio e disse que pode abalar as relações entre os dois países.

Angelita, a prima de Rodrigo Gularte, que acompanhou ele ao longo dos últimos três meses, deu uma declaração na TV aos indonésios dizendo que acredita que Rodrigo agora vai viver uma vida melhor.

O governo brasileiro considerou a execução do brasileiro um ‘fato grave’. As relações entre o Brasil e a Indonésia saem mais uma vez estremecidas.

O governo brasileiro recebeu com profunda consternação a notícia da morte de Rodrigo Gularte.  O ministro interino das Relações Exteriores, Sérgio Danese, disse que o governo estuda que medidas tomar em relação à Indonésia, já que vários apelos foram feitos pela vida de Rodrigo Gularte, inclusive pela própria presidente Dilma Rousseff, e não conseguiram um resultado positivo.

O Itamaraty informou ainda que a execução do segundo brasileiro na Indonésia fortalece a disposição do Brasil em defender a abolição da pena de morte no mundo junto aos organismos internacionais.

Jornal Midiamax