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Governo grego apresenta propostas para tentar acordo com credores

Atenas admite alterar o imposto sobre o consumo

Diego Alves Publicado em 22/06/2015, às 02h52

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Atenas admite alterar o imposto sobre o consumo

O governo da Grécia apresentou hoje (21) um conjunto de propostas que serão levadas aos credores, tendo em vista “um acordo benéfico mútuo”, noticiou uma TV privada grega. Amanhã (22) ocorre uma reunião da zona do euro, marcada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk para esta segunda-feira (22) em Bruxelas.

Entre as propostas, por exemplo, Atenas admite alterar o imposto sobre o consumo (IVA) de alguns alimentos ou hotéis para aumentar as receitas fiscais e acabar com as reformas antecipadas a partir do próximo ano. As pensões e o IVA representam um dos pontos de maior desacordo entre a Grécia e os credores, que exigem um corte das pensões que represente 1,8 bilhão de euros, cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) grego em 2016.

Ainda assim, a questão chave para o Executivo grego passa pela aceitação, por parte dos credores, de uma reestruturação da dívida, ao mesmo tempo em que insiste em não permitir o fim do subsídio para os reformados (Ekas) e o aumento, em 10 pontos percentuais no IVA, sobre a eletricidade.

No início da tarde, o governo grego comunicou, por telefone, as novas propostas à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e ao Presidente de França, François Hollande, bem como ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Para Atenas, essas propostas visam a um acordo que “deverá trazer uma solução definitiva e não provisória”. Mas do lado dos parceiros europeus recebeu apelos de um rápido esforço para encontrar uma solução.

Em um encontro em Milão, François Hollande afirmou que nas negociações entre os credores internacionais e o governo grego “não há tempo a perder”, palavras que mereceram o apoio do chefe do Governo italiano, Matteo Renzi, que também instou Atenas a fazer um esforço.

No entanto, Matteo Renzi foi mais otimista, considerando que já estão reunidas as condições para que a Grécia e os seus credores internacionais alcancem um acordo benéfico para ambas as partes, pondo fim à crise.

“Seria um erro não aproveitar esta janela de oportunidade”, disse o primeiro-ministro italiano, mostrando-se disponível para “ajudar a encontrar o caminho para o acordo” e acrescentando que a reunião de emergência dos líderes da zona do euro deverá ter uma “conclusão positiva”.

Mais tarde, a Comissão Europeia confirmou que estava trabalhando para chegar a um acordo com os credores internacionais na reunião desta segunda-feira. No entanto, várias fontes europeias citadas pelas agências de notícias internacionais diziam que as novas propostas de Atenas ainda não tinham chegado à mesa de negociações técnicas.

As instituições internacionais credoras da Grécia também se reuniram esta tarde para encontrar uma solução para o problema da dívida grega, tendo em vista o encontro extraordinário de amanhã, embora ainda não conheçam as novas propostas.

O encontro entre a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) “só pode ser produtivo” se Atenas apresentar uma nova proposta, o que até ao momento ainda não se concretizou, disseram fontes diplomáticas.

O dia ficou ainda marcado pela notícia de que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, vão se reunir na segunda-feira (22) antes da reunião extraordinária.

Também os governadores do Banco Central Europeu (BCE) se reunirão no mesmo dia para discutir um possível reforço da linha de emergência de liquidez para os bancos da Grécia.

Jornal Midiamax