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Fogo atinge albergue de refugiados ameaçados por neonazistas

Aparentemente criminoso, incêndio acontece após semanas de protestos ultradireitistas contra a acolhida de refugiados

Clayton Neves Publicado em 04/04/2015, às 13h14

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Aparentemente criminoso, incêndio acontece após semanas de protestos ultradireitistas contra a acolhida de refugiados

As dependências de um novo albergue de asilados em Tröglitz, no leste da Alemanha, ficaram danificadas por um incêndio, aparentemente criminoso, após semanas de protestos ultradireitistas contra a acolhida de refugiados e exigindo a renúncia do prefeito da cidade, acossado pelos neonazistas.

O teto do centro de refugiados, que deverá abrir suas portas no próximo mês de maio, ficou totalmente destruído, mas o incêndio não deixou ferido, informaram neste sábado (4) fontes policiais.

As investigações da polícia se centram na suspeita de que o incêndio foi proposital, supostamente para impedir a acolhida de um grupo de 40 asilados no local.

A cidade de Tröglitz, com 2.800 habitantes, ocupou as manchetes recentemente por causa das ameaças contra seu prefeito, Markus Nierth, que renunciou no último mês de março depois que a extrema-direita convocou manifestações na frente da sua casa.

O político, sem militância partidária, mas que chegou à prefeitura respaldado pela União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, explicou então que deixava seu cargo para proteger sua família do assédio dos neonazistas.

Além disso, Nierth afirmou então que se sentia pouco respaldado no âmbito político.

Seu caso revelou os de outros políticos ameaçados pela extrema-direita, seja em pequenas cidades como Tröglitz ou em conselhos de distrito de Berlim ou outros núcleos urbanos.

O caso mais destacado é o da vice-presidente do parlamento federal (Bundestag), Petra Pau, que recebeu ameaças de morte relacionadas com sua campanha em defesa da amparada de refugiados em seu distrito eleitoral, no leste berlinense.

A Alemanha recebeu em 2014 um número recorde de refugiados, com mais de 200.000 solicitações de asilo, e espera-se que este ano se superem as 250.000.

Os poderes locais advertiram repetidamente que estão colapsados, enquanto em diferentes pontos do país se sucederam os protestos contra dependências de refugiados já existentes ou em construção.

Jornal Midiamax