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Novela cita Corumbá como rota do crime e corrupção e irrita corumbaenses

Capítulo de ontem (27) de 'A Regra do Jogo' enfureceu até o prefeito da cidade

Daiane Libero Publicado em 28/02/2016, às 16h11

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Capítulo de ontem (27) de 'A Regra do Jogo' enfureceu até o prefeito da cidade

No capítulo deste sábado (27) da novela "A Regra do Jogo", da Rede Globo, a personagem Atena (Giovanna Antonelli) cita a cidade sul-mato-grossense de Corumbá em diálogo sobre tráfico de armas e corrupção policial. A cena revoltou internautas, incluindo o prefeito de Corumbá Paulo Duarte, que desabafou em seu perfil do Facebook.

"Por Corumbá e outras cidades de fronteira passam armas que são encomendadas pelas 'facções' e traficantes das grandes cidades do país. Isso acontece por falta de investimentos maciços e prioritários na segurança das áreas de fronteira. Responsabilidade do governo federal e que nunca foi feito de verdade desde o restabelecimento da democracia no país", reclamou. 

Para Duarte, a atitude foi irresponsável. "É irresponsabilidade e preconceito estigmatizar a nossa cidade e seu povo como local cheio de facções (coisa que não é verdade!)", afirmou. Ele também contestou, na postagem, a qualidade de programas como "Big Brother Brasil". "Faça uma autocrítica sobre os 'Big Brothers' e outros lixos que produzem, usando uma concessão pública para atender a seus mais vis interesses comerciais", criticou. 

A cena mostra Atena, Gibson (José de Abreu) e a secretária de Gibson combinando a entrega de um carregamento de armas, que encontra problemas para chegar. Atena então sugere que seja por via terrestre em Corumbá. Ao ouvir a informação de que a polícia monitora a passagem dos carregamentos, a personagem insinua que as autoridades aceitariam suborno, e diz que "dá para fazer um acordo com essa gente".

A professora de artes Gabriela Palhares, 38, que é corumbaense mas mora em Campo Grande, afirma ter sentido o mesmo que o prefeito da cidade em relação à cena. "Achei um absurdo, não acho legal fazer isso com uma cidade que precisa de proteção em razão da fronteira seca. Desnecessário. Poderia ser outro diálogo", acredita. Já o estudante Paulo Souza Silva, 18, também corumbaense, acredita que o enredo tem "licença poética" para colocar qualquer informação na dramaturgia. "Claro que as novelas influenciam as pessoas, mas acho que eles possuem a licença da ficção para criar esse tipo de cena. Não achei nada demais", opina. 

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