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Crítica: ‘Black Mirror’ acerta ao explorar crueldade humana na era da tecnologia

Saiba mais sobre a série

Daiane Libero Publicado em 24/10/2016, às 14h32

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Saiba mais sobre a série

A Netflix divulgou na última sexta-feira (21) a nova e terceira temporada da série britânica "Black Mirror". Para quem não sabe, a produção começou tímida, produzida por uma emissora da Grã-Bretanha, e posteriormente foi comprada pelo serviço de streaming para virar uma produção original, como tantas outras que a Netflix tem feito. A reportagem do MidiaMAIS assistiu a temporada e antecipa uma crítica sobre a produção.  

Esta nova temporada segue o mesmo padrão das demais, mostrando diferentes eras e momentos, sem nenhuma relação entre os episódios (a chamada antologia). O que os capítulos tem em comum é mostrar como a tecnologia não somente domina a nossa vida como também as nossas relações mais profundas. Nesta nova temporada, diferentemente das demais, existem pessoas que questionam o status quo desse sistema opressor. Mas os protagonistas acabam vítimas desse sistema, e como é de praxe na série, o final nem sempre é feliz. 

Dois episódios merecem especial destaque (atenção para os spoilers). O primeiro, "Nosedive", cujo destaque fica também na fotografia estética (super marcante, com tons pasteis que mostram toda a "higienização" dessa sociedade focada em julgar os outros), apresenta um lugar onde todas as pessoas dão notas para as outras, através de um aplicativo (muito parecido com os nossos atuais, Instagram, Tinder e Facebook).

Quem tem as notas mais altas é socialmente mais aceito, inclusive podendo entrar em prédios que pessoas menos cotadas não podem. Essas pessoas precisam constantemente agradar às outras para continuarem bem avaliadas então criam-se relações de falsa cortesia e amizade. 

Nesse cenário, uma mulher precisa desesperadamente dessa atenção, e em busca de uma vida dos sonhos, precisa conseguir uma nota superior à que tem. Para isso vai tentar usar o casamento de uma inimiga, onde fingindo uma amizade inexistente, espera agradar aos convidados que poderão lhe dar a sonhada nota. É claro que tudo dá errado, ou não seria Black Mirror. 

Outro episódio de destaque é o número 4, "San Junipero". O nome engraçado batiza uma cidade balneária onde tudo é festa, o tempo todo, em um espaço-tempo situado nos anos 80. Duas mulheres se conhecem em uma balada e são imediatamenta atraídas uma para a outra. Porém, nada é o que parece ser.

Episódio 'San Junipero' / Foto: Netflix/Reprodução

Na verdade, elas estão inseridas em um sofisticado sistema onde pessoas idosas podem viver eternamente na cidade onde tudo é festa. Algumas pessoas estão só de visita. Uma premissa muito parecida com a do filme "Matriz". Em San Junipero, a festa nunca acaba e isso é realmente assustador. 

"Black Mirror" é mais do que um simples seriado na Netflix. É a nossa chance de refletir sobre a escravidão tecnológica que nós já estamos inseridos. Vale sempre assistir. 

Jornal Midiamax