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Com tanta oferta, será que o que você leva para casa por R$ 1 é realmente chipa?

Tem gente usando essência de queijo por aí 

Clayton Neves Publicado em 25/10/2016, às 09h20

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Tem gente usando essência de queijo por aí 

Em Campo Grande, a chipa é um dos alimentos mais tradicionais e presentes no dia a dia da cidade, um prato típico a cara de Mato Grosso do Sul, que lembra um pão de queijo, mas que tem suas diferenças. E além de tudo, a chipa é barata: tornou-se comum vender o produto a R$ 1 a unidade. As lanchonetes que comercializam o produto ‘invadiram’ a esquinas da Capital. Chipa a R$ 1 simplesmente está 'brotando' por aí.

Com tanta oferta de chipa espalhada pela cidade, alguém já se perguntou se o que levamos para casa por apenas uma moedinha de R$ 1 é chipa de verdade? Especialistas afirmam que nem sempre, já que se for comparado o custo-beneficio, o lucro decorrente das chipas de um real é praticamente nulo.

Vamos aos fatos: com a peça do queijo na casa dos R$ 26, para obter lucro da chipa vendida a R$ 1, muitos comerciantes acabam fugindo da receita original e reduzindo a quantidade de queijo, que só 'por acaso' é o principal ingrediente, o que dá sabor e textura característicos da iguaria. Além disso, quase sempre são utilizados ingredientes de baixa qualidade. Desta maneira, o que é anunciado como chipa, torna-se um "biscoito salgado de polvilho".

"A chipa de verdade não esfarela, é macia e tem característica emborrachada por dentro, isso por causa da liga com o queijo, e por fora tem uma camada crocante. Quando não se coloca a quantidade de queijo adequada, aquilo se torna um biscoito", afirma a culinarista Francisca Rodrigues, de 45 anos, que há pelo menos oito é especialista no preparo de chipas.

Ela lembra que para lucrar mais e economizar, alguns lugares também utilizam essência de queijo para fazer as 'chipas'. que têm atraído clientela pelo valor acessível. "No fim a pessoa acaba levando gato por lembre, como diz o ditado", explica Francisca.

Claro, com tanta lanchonete na cidade, não é difícil se deparar com as 'chipas da discórdia'. Apreciador de uma chipa com café, a auxiliar administrativo Amanda Corrêa, de 21 anos, conta que sempre tenta fazer as chipas em casa, já que comprar na rua pode não ser um bom negócio. "Ja vi coisas que eram tudo, menos chipa. Às vezes, na ânsia de lucrar, o vendedor acaba manchando o próprio negócio", afirma.

Mercado da Chipa

O que mais tem na cidade é chipa a R$ 1 (Foto - Luiz Alberto/Midiamax)

O empresário Flávio Barros, de 21 anos, sócio de uma chiparia, afirma que quantidade de queijo e a qualidade dos produtos que vende são prioridade para atrair o cliente. "Se você não faz uma coisa saborosa, o cliente reclama e não compra mais. E isso não é bom. Não é só o preço que tem que compensar, mas também o paladar", relata.

Ele conta que para ter lucro vendendo a chipa a R$ 1 é preciso vender muito, já que além do custo com ingredientes, existem gastos com estrutura física da loja. Ele até consegue uma boa margem: por cada chipa vendida, o lucro é de 30 centavos, reflexo de fornadas operando co capacidade máxima e vendas diárias de cerca de 700 unidades.

"Nosso lucro é possível por causa da quantidade, da grande procura", revela Flávio, que anuncia até expansão dos negócios. "Já estamos pesquisando e se organizando para abrir uma filial para 2017", disse.

Patrimônio cultural não-oficial

Iguaria típica do Paraguai, já tem muito tempo que a chipa cruzou a fronteira com o Brasil e caiu no gosto dos sul-mato-grossenses. E muito embora ela seja uma espécie de 'patrimônio cultural não-oficial' por aqui, no país vizinho o hábito de consumo da chipa é bastante diferente: ela é consumida com o Cozido – um chá feito à base de erva mate queimada na brasa. Do lado brasileiro, a melhor companhia é mesmo o café preto.

Semelhante ao pão de queijo, de origem brasileira, mais especificamente do Estado de Minas Gerais, a chipa difere-se pelo uso do polvilho doce ao invés do azedo e na menor quantidade de gordura. Por causa disso, torna-se menos oleosa e mais crocante. Além disso, as chipas são assadas em formato de ferradura, ao contrário do pão de queijo, feito em formato de bolinha.

"Toda vez que estou a caminho ou na volta do serviço, troco uma moeda de R$ 1 por uma chipa. É barato, gostoso. Não enjoo nunca", relata o carpinteiro Jean da Cruz, de 26 anos.

Ficou com vontade? Que tal fazer em casa? Confira a receita!

Ingredientes:

Além de gostosa ainda é fácil de fazer (Reprodução/Só receitas)​500g de fécula (ou polvilho doce)  
125g de margarina    
250ml de leite    
320g de queijo caipira curado e sem sal    
3 ovos
20g de sal

Preparo:

Juntar todos os ingredientes (exceto a fécula);
Dar o ponto adicionando a fécula aos poucos;
Dividir a massa (100g) criando ferraduras e colocar em forma untada de óleo;
Levar ao forno (200 ºC) por cerca de 20 minutos, ou até ficarem levemente douradas.

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