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Pandemia tem gerado mais dores musculares; home office é um dos vilões

Situação de insegurança, catastrofização, solidão e outros interferiram no sono, nas atividades físicas, laborais e de lazer

João Ramos Publicado em 28/06/2021, às 11h26

Para aliviar as tensões, um primeiro passo é priorizar um tempo do dia para cuidar um pouco do corpo e da mente com atividades prazerosas, diz fisioterapeuta
Para aliviar as tensões, um primeiro passo é priorizar um tempo do dia para cuidar um pouco do corpo e da mente com atividades prazerosas, diz fisioterapeuta - (Reprodução)

Não é incomum que as pessoas tenham ficado mais sedentárias ao longo da pandemia. Muitas se queixam de torcicolo, dores nas costas, nas mãos, nos braços e nas pernas. Tudo isso em função do tempo em casa, sem se movimentarem tanto no home office. Nesse sentido, a ciência aponta até outro fator ligado ao aumento das tensões musculares durante epidemias e pandemias: há relação com transtornos psicológicos.

A Profa. Dra. em fisioterapia, Aliceana Menezes, explica algumas causas para essas tensões. Com a Covid-19, nossos hábitos pessoais, de lazer e trabalho mudaram bastante: usamos ferramentas tecnológicas por horas a fio no dia a dia, ficamos muito tempo sentados e o home office se tornou, em vários casos, a única opção para trabalhar, com os espaços de casa adaptados, muitas vezes, fora dos padrões ergonômicos.

“Esses aspectos trouxeram um aumento de trabalho muscular estático com potenciais sobrecargas musculares, que possibilita a diminuição da mobilidade corporal e consequente surgimento de fadiga e dor”, pontua.

Além dos fatores ambientais e físicos, Aliceana lembra de um estudo sobre as emoções da Covid-19 que mostrou uma mudança no nosso estado emocional a partir do início da pandemia, passando por situações de medo, entre outras. “Fomos mergulhados em uma situação de insegurança, monotonia, desmotivação, catastrofização, solidão, incerteza sobre o futuro e tantos outros que interferiram no sono, na alimentação, nas atividades físicas, laborais e de lazer”, exemplifica.

Aliceana cita pesquisadores e a própria OMS para dizer que as epidemias geram um aumento de transtornos psicológicos, que seriam maiores do que a própria contaminação pelo agente pandêmico. Isso amplia as tensões musculares e reflete em dores crônicas por conta do estresse pós-traumático das crises sanitárias.

Como minimizar as tensões?

Primeiro, precisamos entender em quais situações cotidianas as dores surgem ou aumentam e em quais locais do corpo aparecem. “Esse entendimento será uma importante informação para o profissional de saúde no momento da avaliação, pois algumas doenças podem estar relacionadas a dores musculares, que vão desde alguns traumas agudos ou decorrentes da própria repetitividade de movimentos, posturas inadequadas e até doenças sistêmicas e psicológicas, como depressão, ansiedade, estresses emocionais diversos”, cita Aliceana.

Reconhecer isso é válido para quem está trabalhando fora de casa também. Para aliviar as tensões, um primeiro passo é priorizar um tempo do dia para cuidar um pouco do corpo e da mente com atividades prazerosas. “Manter-se ativo é muito importante, pois nosso corpo foi programado para se movimentar e quando ficamos parados, acabamos por comprometer nossas estruturas e as tornamos menos funcionais”, indica a especialista.

Ajudam também os exercícios de alongamento muscular, de mobilidade articular, de força e de resistência, mesmo de curto tempo. E mudar de posição é essencial: se trabalha em pé, sente um pouco; se sentado, levante-se e caminhe um pouco. “Isso melhora nosso metabolismo e ajuda no bom funcionamento de todo o corpo”, conclui.

Jornal Midiamax