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Brechós infantis virtuais ajudam mães em busca de economia em Campo Grande

Como crianças e bebês perdem peças muito rápido, o mercado é aquecido Capital

Nathália Rabelo Publicado em 18/05/2021, às 15h18

Daniel, 7 anos, com roupa de brechó infantil online
Daniel, 7 anos, com roupa de brechó infantil online - Foto: Arquivo Pessoal

O estigma de que “roupa usada” não serve para nada tem perdido força há alguns anos. Hoje em dia, é cada vez mais comum que pessoas busquem peças e produtos de boa qualidade a preços acessíveis em brechós. Com a migração desse tipo de comércio para a Internet, as vendas ficaram ainda mais fáceis. E as famílias também se beneficiaram disso. Grupos de Facebook, WhatsApp e comunidades independentes em Campo Grande, mães e pais apostam na compra e venda de roupas infantis usadas para ajudar na economia e evitar desperdícios.

A venda dessas peças é movimentada na Capital, uma vez que as crianças crescem muito rápido e acabam perdendo muitas roupas que mal usavam. O jeito, então, é encontrar um destino melhor para esses produtos. Além de ajudar com a renda extra, a venda é uma solução criativa para destinar o dinheiro para outras peças aos filhos. 

Gabrielly Gonzalez, 26 anos, é jornalista, mãe da Elisa, 2 aninhos, e faz parte de vários grupos de desapego infantil no WhatsApp. Ela contou ao Midiamax que separa roupas para doação e que vende as peças mais caras e que não tiveram muito uso com intuito de ajudar outras mães a comprarem peças de boa qualidade por um preço melhor. Além disso, usa o retorno financeiro para outras roupas da filha.

“É totalmente vantajoso, visto que criança perde roupa num piscar de olhos. Então dá pra fazer o uso dessa ‘moda sustentável’, que nada mais é vender algo que foi usado, mas que permanece bem cuidado, em vez de deixar guardado”, explicou.

Elisa com botinha comprada em grupos de WhatsApp de desapego infantil (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dos maiores benefícios também está na possibilidade de comprar ou vender roupas de marcas “famosas” com custos bem mais baixos do que na loja.

“Criança sempre tá precisando de alguma coisa. Roupa, sapato, brinquedo.... então nos grupos você tem a facilidade de já ver a peça, combinar local de entrega e fazer a retirada. Evita aquele desgaste de ir à loja física, que convenhamos, já é difícil sem criança, com criança, quase missão impossível”, brincou Gabrielly.

Mala de troca

Aniky Pegolo Nishida Tmaoki, 42 anos, trabalha como auxiliar administrativa de um hospital de Campo Grande e é sócia de uma empresa. Mãe do Daniel, 7 anos, e do João Gabriel, 14, ela sempre teve o costume de ‘trocar’ roupas com amigas e familiares para economizar e, ainda, oportunizar que outras mães realizassem o sonho de vestir seus bebês. 

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Camisa foi comprada para festa. Calça e sapato herdado do filho da comadre de Aniky (Foto: Arquivo Pessoal)

Funciona assim: quando teve seu primeiro filho, João, ela destinou as roupas que não serviam mais nele ao filho da sua prima. Depois que o menino cresceu, as roupas retornaram para Aniky que teve Daniel, o mais novo, e reutilizou as roupas novamente. Ela tem uma “mala de roupas Pré-Maturo” que é distribuída entre amigas, colegas de trabalho e familiares. Além disso, também recorre aos grupos de mães para comprar e vender produtos.

“Eu comecei a vender brinquedos de bebê do meu segundo filho. Minha irmã já vendia roupas e brinquedos e foi o que ela me disse que fez minha visão mudar:  muitas mães têm vontade de dar um brinquedo legal aos seus filhos e não tem condições de pagar o preço de loja. E foi isso que me fez iniciar as vendas e trocas. Afinal , os bebês e crianças perdem muito rápido e os itens acabam sempre ficando bem novos”, comentou a auxiliar administrativa.

Com um mercado tão aquecido, as vendas mediadas pelo celular são muito mais práticas. Por isso, ela aposta na troca, vendas e compras de peças infantis para manter o guarda-roupa dos seus filhos, e filhos de outras mães, sempre atualizado de maneira bem econômica.

Desapego

A cirurgiã-dentista Mariuxa Barbeta Vieira Kayatt, 32 anos, disse que ainda não participa de grupos de desapegos, mas que adora a ideia. Mãe da Maria Amélia, 3 meses, ela contou que resolveu dar um destino melhor às peças esquecidas no armário.

“Geralmente separo uma parte para a doação e outra parte desapego e as mais especiais guardo! Porque o bebê perde tão rápido roupa, usa 1 vez no máximo 2 e pagamos tão caro às vezes por essas roupinhas que eu resolvi desapegar de algumas”, comentou.

As plataformas de venda online foram suas grandes aliadas. E Mariuxa afirma que todas as vezes que colocou roupas da filha à venda, esgotaram quase todas.

Jornal Midiamax