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Pelo mundo: ela trocou o Brasil pela China para viver um grande amor

Midiamais ouve relatos de experiências pelo mundo

Evelin Cáceres Publicado em 25/06/2016, às 22h32

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Midiamais ouve relatos de experiências pelo mundo

Vai dizer que nunca teve vontade de largar tudo e morar em outro lugar e conhecer novas pessoas? Para tirar dúvidas e te deixar ainda com mais vontade de fazer as malas e se aventurar pelo mundo, o Midiamais abre espaço para campo-grandenses que resolveram largar tudo e mudar para outro país, seja porque achou um emprego novo, ou um amor, ou uma oportunidade de fazer um curso, intercâmbio.

E para te ajudar a conhecer o mundo sem gastar nada, ou te ajudar a decidir partir também, vamos relatar essas histórias por meio de uma lista de dez diferenças que mais chamaram a atenção dos nossos colegas.

Neste sábado (25), vamos contar a história de Bianca Wan, que deixou a família para ir morar com seu namorado (agora marido) Wei Wan em Nanquim, na China, antiga capital do país. Há anos namorando pela internet, Wei vem desde 2012 ao Brasil para visitá-la e eles se mudaram para a China no ano passado. Antes do casamento, viviam em casas separadas.

Bianca aponta diferenças no modo de agir familiar, jeito de comer, segurança e hospitalidade dos chineses. Confira!

  1. O que mais me chamou a atenção aqui na China são as diferenças que existem dentro das próprias famílias, pois cada geração pensa de uma maneira diferente. Muitos jovens acabam escolhendo morar longe dos pais por conta disso. No caso da minha família, os meus sogros são conservadores e temos uma prima do meu marido que faz essa ‘ponte’ entre eles. Ela entende o nosso jeito de pensar, entende o jeito dos pais dele e faz a intermediação. É como se dentro da própria família existissem estrangeiros, por conta das diferenças. 
  2. Comida– qualquer conceito tosco que as pessoas têm sobre a comida na China é sensacionalista. A comida aqui é maravilhosa! Tem escorpião, tem insetos, mas não são comuns aqui em Nanquim. Por aqui, o pato é a especialidade. Já vi mais de treze maneiras de prepará-lo e tudo muito gostoso. Comemos muito arroz (sem sal e sem tempero) com outras comidas, além do macarrão. Também são muito consumidas as carnes de porco e de frango. Também tem as comidas mais tradicionais, como barbatana de tubarão.
  3. O casamento chinês é bem familiar e pode custar fortunas, mas depende como o casal resolve preparar a cerimônia. Apesar disso, tem uma tradição que deve ser seguida. No almoço de casamento, apenas os parentes e amigos próximos participam. Vou contar como foi o meu para explicar. Como só registramos o nosso casamento no Brasil, nós só fomos morar juntos após a cerimônia aqui. A família vai à casa da noiva, oferecem chá para a família e o noivo promete ao pai que vai fazê-la feliz e convida a todos a irem a casa dele. Todos alugam carros, de preferência vermelhos, e passeiam por monumentos da cidade que têm mensagens de boa sorte para os casais, já que é tradição fazer esse percurso. Os noivos vão em um carro mais luxuoso, uma Mercedes, ou um Jaguar. Então vamos para a nossa casa, quando os pais do casal servem chás uns para os outros e aí todos seguem para o almoço de casamento. Tudo é muito caro e o menu do dia é escolhido pelos pais e pago por mesa servida. Vários restaurantes e hotéis oferecem esse serviço. Todos voltam para casa e à noite existe uma apresentação social. É um cerimonialista que é contratado para isso, como em um pequeno show em um palco. Ele faz mágica para as crianças, conta piada e nós somos apresentados. O que ninguém abre mão é do ensaio pré-casamento, super tradicional, quando os noivos se vestem de vermelho.
  4. O transporte público é espetacular. Sempre limpo e na hora. Os ônibus têm ar condicionado, wi-fi e o metrô muito organizado e limpo. Existem muitos trabalhadores na limpeza dos veículos. Mas no horário de hush é uma multidão, é preciso ficar atento para entrar nos vagões. Apesar da lotação – e não sei também se é porque os chineses são reservados e tímidos – não ouço falar em assédio. Sempre que ando me parece seguro, mesmo lotado.
  5. A segurança é um ponto forte também. Esses dias saí 23h30 do mercado com o meu marido e uma amiga e nunca me senti tão segura em toda a minha vida. Uma certeza de que a gente não vai ser assaltado. Eu tenho medo é de quando eu voltar para o Brasil sentir essa insegurança de novo. Não tem violência, a gente não vê ninguém sendo assaltado. O país tem um controle muito forte sobre as armas. Mas existe a agressão física, sim. Em fevereiro fomos a um grande evento no Parque Fuzimiao e o Exército estava reforçando a segurança porque, segundo dizem, há um grupo da região oeste que planeja ataques por questões étnicas. Nesta ocasião, estavam revistando bolsas, mochilas, tudo desde o aeroporto. Mas não se engane: a lotação dos metrôs e ônibus também são boas oportunidades para furtos. É bom sempre deixar o celular e a carteira bem escondidos.
  6. Cusparada: uma coisa que me deixa louca é uma mania nojenta que pessoas de mais idade têm por aqui, que é escarrar no meio da rua. Meu marido explicou que este é um costume das pessoas mais antigas e que não tiveram acesso a educação, mas eu vejo muita gente cuspindo.
  7. Os chineses tratam os estrangeiros muito bem, ao contrário da imagem fria que vendem no mundo sobre os asiáticos. Eles me olham com muita curiosidade, ao ponto de uma menina que estava andando na rua pedir para tirar uma foto comigo! Eu achei muito engraçado, ela me elogiou e eu fiquei muito feliz. Eles gostam bastante dos meus olhos, dizem que são grandes e fazem isso pela curiosidade mesmo. Antigamente, essas abordagens a estrangeiros eram maiores, hoje existem campanhas do governo que até incentivam o bom tratamento aos não asiáticos.
  8. O status é algo importante para a China. Roupas visivelmente caras são um orgulho para eles, que estão sempre bem vestidos. Eles gastam dinheiro e parece que é só para falar o quanto gastou na roupa – e se gabam por isso. Mas é um traço dos mais velhos. A nova geração usa roupas mais ocidentalizadas e não liga muito para os padrões. Fui a um casamento da prima do meu marido e tinha gente de tênis. Esse status – face da família – importa muito. Se um familiar perde o emprego, é como se isso envergonhasse a todos da família, que acabam perdendo um pouco de prestígio. O que se mostra é importante: ter um bom emprego, família estruturada e não se envolver em nenhum tipo de confusão é fundamental para eles.
  9. Comer separado é tradição. Quando cheguei e servi tudo junto no prato ficaram me olhando com espanto e então me explicaram que cada comida é servida separadamente para ser provada com o arroz, para que a gente possa sentir o sabor das coisas. No Brasil, meu marido servia assim e eu achava que era uma mania dele. Mas é tradição aqui e aprendi a comer assim.
  10. Uma decepção para mim é a questão dos pets, cães e gatos. Todos são de raça, o que faz parte do status também, Todo mundo faz questão de ter animal caro, em uma mensagem subliminar de “olha só pelo que eu posso pagar”. Isso me deixa muito triste, eles não parecem ter muito amor pelos bichos, tratam como uma questão de status mesmo. Se você vê um cachorro na rua com seu dono, não dá nem para brincar com ele. Tratam como posse mesmo. 
Jornal Midiamax