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O balé estava no destino de Duda, única bailarina de MS selecionada para o Bolshoi

Bailarina vai mudar-se com a família para Joinville (SC)

Guilherme Cavalcante Publicado em 27/10/2016, às 11h19

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Bailarina vai mudar-se com a família para Joinville (SC)

Svetlana Zakharova, considerada a maior bailarina do mundo, e Ana Botafogo, a primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Estas são as maiores referências de Maria Eduarda Barbosa de Sale, a Duda Barbosa, que com apenas 11 anos e o sonho de ser bailarina profissional, dá uma lição de determinação, dedicação e persistência: ela foi a única bailarina de Mato Grosso do Sul selecionada para a concorridíssima Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, Santa Catarina, a única filial do Teatro Bolshoi de Moscou, na Rússia, uma das escolas de balé mais bem conceituadas do mundo.

Duda acabou de retornar da seletiva e foi recebida com pompa e homenagens no aeroporto de Campo Grande – lembrança que certamente guardará da cidade, já que em fevereiro as aulas do ensino fundamental e de balé têm início em Joinville, para onde a família vai se mudar. O pai de Duda, na verdade, já está na nova cidade desde junho. "É muito incomum ver uma menina tão nova e tão dedicada. Então a gente decidiu incentivar e apostar no sonho dela, Mesmo que ela não passasse no Bolshoi, seria bom mudar de ares. Meu marido já está com uma casa pronta lá, empregado, só esperando a gente", conta Edvane Barbosa, mãe de Duda.

O sonho de ser bailarina começou cedo para Duda. Desde pequena, ela já gostava do balé, mas acabou fazendo ginástica por uma série de motivos, inclusive financeiros. Até que um dia, aos 9 anos de idade, quando foi fazer a modalidade olímpica no ginásio Dom Bosco, o destino cruzou seu caminho. "A sala de balé ficava bem do lado da ginástica. E eu achava lindo tudo aquilo, as meninas treinando… Comecei a insistir pra minha mãe e foi assim", conta. Edvane cedeu. Ela, que era agente de saúde municipal, mudou até de emprego para poder ficar mais próxima da filha e agora é auxiliar de limpeza em uma escola.

Rotina pesada para as seletivas

Duda e a professora Yasmin no Bolshoi (Reprodução/Facebook)A rotina de uma estudante selecionada na escola Bolshoi é tão intensa quanto a de um adulto. Além de se dedicar aos estudos regulares, é preciso passar por uma preparação constante, que prevẽ treinos diários. "Ela é muito dedicada e esforçada. Bem cedo ela vai pra escola, daí eu saio do trabalho, busco-a na escola. Almoçamos na rua, já levo tudo preparado, e depois vamos para o Dom Bosco, onde ela faz as tarefas, veste a roupa de treino e antes da professora chegar ela já começa o alongamento", conta Edvane.

A preparação, que teve início em abril deste ano, conta com três horas de aula diárias, de segunda à sexta, divididas entre lições de balé e treinos de alongamento funcional. Mas Duda é diferente. Ela também treina em casa, à noite e aos fins de semana. Está aí o segredo do sucesso?

As seletivas do Bolshoi deste ano foram bastante difíceis. Foram 650 testes e apenas 20 estudantes selecionados. Duda disputava uma das 5 vagas para sua categoria. E foi a única escolhida de Mato Grosso do Sul. A professora responsável pela preparação de Duda, Yasmin Salame, que dividiu a preparação das alunas com outra profissional, está que é só orgulho. 

"Sempre quis ser uma grande bailarina, mas Deus me deu o Dom de ensinar e passar todo esse amor, esse sonho e vontade de ser uma grande bailarina para minhas alunas. A ficha ainda nem caiu. A Duda é a aluna que todos os professores sonham em ter, toda esforçada, humilde, educada, impecável, linda. Valeu cada plié, cada puxão de orelha, cada grito, cada ensinamento, cada coque feito com perfeição", escreveu no Facebook.

Tradição no Bolshoi

O balé estava no destino de Duda, única bailarina de MS selecionada para o BolshoiA diretora das academias de balé do Dom Bosco e do Auxiliadora, Suzana Leite, explica que já há uma tradição de preparar jovens bailarinas para o Bolshoi. "Nós queríamos levar mais candidatas, começamos a preparação de 11 meninas, mas apenas quatro permaneceram até o final. É compreensivo, já que fazer esse teste implica outras coisas, como mudar de cidade. É preciso ter estrutura", explica.

Segundo ela, outras bailarinas sul-mato-grossenses já fazem história no balé após passarem pela escola Bolshoi. A primeira bailarina formada pelo método Bolshoi é Laís de Andrade Pamplona, 30 anos, atualmente primeira-solista da Ópera de Baden, na Áustria. Depois vieram Janina Rios, Amanda Cardoso – ambas de Campo Grande – e outras duas de outras escolas. "E agora tem a Eduarda".

Duda, a propósito, ainda fica na cidade, mas só até terminar o ano letivo na escola e apresentar-se mais uma vez com sua academia de balé. "Depois vou correr atrás do meu sonho. Quero ser bailarina e dançar a peça que mais me inspira, que é O Lago dos Cisnes", conclui.

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