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#TEAMO: assim como bisavó, cigana ignora tradição e se casa com amor de sua vida

Casal quis ter sua história publicada na série do MidiaMAIS

Carol Alencar Publicado em 10/06/2015, às 09h00

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Casal quis ter sua história publicada na série do MidiaMAIS

A nossa série #TEAMO teve uma repercussão tão boa, que recebemos muitas mensagens de leitores do Jornal Midiamax afim de também terem um registro por aqui, na editoria MidiaMAIS. A história de hoje partiu do marido, o técnico em informática, Wilson Rodrigues, 41 anos em presentear sua esposa, a técnica de enfermagem Celi Machado de 50 anos.

O presente seria a história de amor deles publicada no jornal. Pois bem, fomos até eles e vamos contar um pouco dessa  união, de 14 anos. O que mais nos chamou a atenção é que ela é de família cigana e ele era peão. Por isso, vamos apelidá-los de ‘a cigana e o peão’.

Celi, a cigana é 10 anos mais velha que Wilson, o ex-peão. Ela garante que a história de sua bisavó se repetiu em sua história de vida. “Minha avó foi expulsa da tribo dos ciganos porque se apaixonou por um gadí [expressão cigana que define o homem que não é da tribo] 15 anos mais novo que ela, foi uma grande ofensa à família”, diz.

Assim como aconteceu com a bisa, aconteceu também com ela. Mas calma lá, vamos contar como foi o grande encontro. Em meados de 2001, Celi já com 35 anos, tinha vivo um sentimento de casar e construir uma família. Pensando nisso, ela se cadastrou num grupo de bate papo virtual à procura de algum parceiro – o Alma Gêmeas. “Eu usava o apelido de ‘Scherazade’ ou ‘Cigana’ e sempre muitos rapazes vinham falar comigo…eu conversava mas não sentia firmeza”, conta.

Quando depois de uns meses sem resultado com aquela sala de bate papo, nossa cigana já estava quase desistindo daquele sonho de ter uma família e, como ela mesma disse: ‘ia ficar sozinha’, porque nem para titia dava, uma vez que suas irmãs também eram solteiras.

E… antes de excluir a conta e deixar que seu sonho de ser mãe fosse por água abaixo, ela recebeu um email, com mais de oito páginas de Wilson, dando um ‘chega pra lá’ só por ela pensar que o affair era ‘jovem’ demais. “Eu já tinha trocado figurinhas virtuais com ele, mas vi que ele era mais jovem, então passou pela minha cabeça que jovem só quer badernar e não quer nenhum compromisso sério e fui deletando e não dando mais moral… e ele me esculhambou falando que ele não era um jovem qualquer e era muito homem para poder me conhecer e que eu estava sendo preconceituosa com ele”, derrete-se nossa entrevistada.

A tentativa do nosso peão deu certo. A cigana ficou com aquele email na cabeça e com a ajuda das amigas do trabalho, conseguiu ligar para o número que havia no final das oito páginas. “Liguei e marcamos um encontro no shopping, que era um lugar mais movimentado”, avalia.

Já no shopping, a cigana descobriu que não era o primeiro encontro em si. “Quando eu desci do carro eu não acreditei que ele era o ‘Deus Grego’ que havia passado por mim numa loja de CDs havia uns meses… naquele momento eu senti uma clareza abrindo e ao mesmo tempo não acreditava nessa situação”, explica. Sim, Celi estava com uma amiga na loja mencionada, quando Wilson passou para comprar um disco. Na época ela o chamou de Deus Grego e a amiga ficou toda envergonhada.

No encontro, que fora regado a suco de laranja (até hoje o casal não é adepto de bebida alcoólica), as afinidades foram se consolidando e as dúvidas também. “Ele pensava que não íamos dar certo, porque minha família era de ‘bens’ e ele vinha de uma criação humilde, besteira a dele não é”.

A intuição do peão não estava tão falha assim. A mãe da cigana foi contra até o dia que eles resolveram casar. Os pais de Wilson trabalhavam como caseiros em fazendas e chácaras. A criação dele foi muito simples, perambulando com os pais na vida na roça.  “Minha mãe achava um absurdo ele ser de família simples, tive de sair de casa porque ela fez da nossa vida um inferno e fui morar sozinha, mas estava tão ruim viver sem ele que resolvemos marcar a data do casamento logo e acredita, ela nem foi ao nosso casamento”, conta.

Enfim, casados!

Com todas as barreiras causadas pela sogra, Wilson não desistiu e foi até o fim para provar seu amor a Celi. “Casamos na Igreja Ortodoxa e no mesmo dia fomos para a Fazenda Bataguassu, onde ela sonhava em se casar…lá, fizemos um casamento cigano e até entramos na água, foi tudo muito lindo, ela ficou encantada com a surpresa dos nossos amigos”, descreve o peão.

No casamento cigano, o ritual é seguido à risca. A matriarca da família é quem celebra e abençoa os noivos que, consequentemente são de famílias ciganas e se casam em volta da fogueira e com flores de laranjeiras espalhadas pelos chão. “Por isso que minha mãe relutou tanto, mas tudo foi em vão porque minha bisa e minha avó e até mesmo ela, quebraram o protocolo cigano”.

O amor da cigana e do ex-peão que resistiu à vida no campo e hoje tem uma profissão não foi em vão. Se o acaso os uniu? Não sabemos. Mas que a história do reencontro no primeiro encontro tem sim, alguma coisa a ver, ahhh!  isso tem. O resultado disso? A filha Clara, que hoje tem 13 anos e é a paixão da vida dos pais. “Ela ama vermelho, é uma ciganinha nata e assim como o pai, que foi criado na roça, ama um arroz carreteiro com mandioca e vinagrete”, brinca.

“Nosso amor é muito forte porque é fundado em uma base muito bem estruturada em respeito mútuo carinho, fidelidade e força. Quando a força de um falha, a do outro complementa. Quando um sofre, o outro acalenta. Confiamos plenamente um no outro e não há nada nem ninguém no mundo que possa abalar o nosso amor”, conclui o peão apaixonado por sua cigana.

Jornal Midiamax