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Maracangalha estreia espetáculo que trabalha a questão da mulher e do latifúndio

“Tragicomédia de Dom Cristóbão e Sinhá Rosinha” é o nome da mais nova produção do grupo que estreia no mês que vem

Carol Alencar Publicado em 25/02/2015, às 19h57

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“Tragicomédia de Dom Cristóbão e Sinhá Rosinha” é o nome da mais nova produção do grupo que estreia no mês que vem

A inspiração do novo espetáculo do Teatro Imaginário Maracangalha veio do outro lado do continente. Baseado na dramaturgia do espanhol Federico Garcia Lorca, o grupo trabalhou em cima do gênero tragicômico e traz para “Tragicomédia de Dom Cristobão e Sinhá Rosinha” – nome da nova produção – questões em cima da mulher, latifúndio e amor.

A trama, que pode ser considerada um musical, envolve um pai fazendeiro falido, que quer, a todo custo, encomendar o casamento de sua filha Rosinha com um homem muito rico, que por sua vez, está à beira da morte. Eis que ela se apaixona por um arista popular e um ex-namorado surge para dar ênfase à obra.

Pela primeira vez abordando a tragicomédia, Fernando Cruz, diretor do TIM, contextualiza a produção como característica que sustenta o teatro de rua. “Como nosso palco é a rua, partimos de uma pesquisa da cultura popular da fronteira de MS com a Bolívia e fizemos um estudo sobre a mulher da nossa fronteira, para mesclar com o texto do Lorca”, diz.

A reflexão sobre questões de poder, tanto sócias quanto econômicas, e as imposições do papel da mulher na sociedade também estarão em evidência dentro do enredo. Ainda de acordo com o diretor, dentro desta obra a questão da sobrevivência do amor será ressalvada. “Queremos deixar claro que sim, a mulher pode se render ao amor”.

Aprimoramentos

Os atores Alê Moura, Renderson Valentin, Moreno Mourão, Fran Corona, Camilah Brito e o diretor, que também entrará em cena, estiveram enclausurados por dois meses para a composição artística e produção do espetáculo. Aprenderam a tocar instrumentos como sanfona, flauta, violão, cajon, zabumba, pandeiro e até castanholas para compor os personagens. A supervisão e direção musical é assinada pelo músico Jonas Feliz.

“Demos uma regionalizada na produção musical; o espetáculo em si, é todo cantado com músicas fronteiriças e ritmos locais como a polca, guarânia…”, conta Cruz.

Programação de estreia

Por ser a primeira produção dessa nova temporada, “Tragicomédia de Dom Cristóbão e Sinhá Rosinha” terá oitos dias do mês de março dedicados à sua estreia.

Na quinta (12) e sexta-feira (13) vai acontecer o seminário sobre a dramaturgia de Lorca com direito a leitura dramática do texto Idilio da Carvoeirinha e seminário sobre gênero e latifúndio. Ambos acontecerão na nova sede do TIM, localizada na Rua Joaquim Murtinho quase esquina com a Avenida Ceará.

O espetáculo em si será circulado pelas feiras da Coophavilla (dia 17), Estrela do Sul (18), Orla Morena (19) e Vila Jacy (21), sempre no mesmo horário, às 20h. No dia 20, o grupo se apresenta na Praça Ari Coelho, às 18h.

Curiosidade

O espanhol Federico Garcia Lorca escrevia textos questionando a sociedade sempre satizirando, de certa forma, com humor. Tinha uma barraca ambulante e perambulava pelo interior da Espanha ditando seus pensamentos. 

Jornal Midiamax