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Livro que traz pensar, escrever e viver uma vida mais lúdica tem lançamento nesta quarta

‘Liubliblablá: mastigações de um camelo’ tem Nietzsche como referência 

Carol Alencar Publicado em 10/08/2015, às 22h03

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‘Liubliblablá: mastigações de um camelo’ tem Nietzsche como referência 

O livro Liubliblablá: mastigações de um camelo, escrito pelos professores e poetas André Monteiro e Luiz Fernando Medeiros será lançado na próxima quarta-feira (12), às 19 hora na sala Rubens Correa, no Centro Cultural José Octávio Guizzo.

A publicação tem como mote as metamorfoses, criadas por Nietzsche em Zaratustra, em torno das figuras do camelo, do leão e da criança. Em Nietzsche, em princípio, o camelo é associado ao animal obediente, animal de carga, aquele que suporta o peso de uma cultura que lhe é imposta.

O leão, por sua vez, corresponde a uma atitude crítica, de negação da cultura. Já a criança, encarna o esquecimento que, nesse caso, em nada se confunde com amnésia, mas traduz um gesto ativo: a possibilidade de se criar, a partir de uma história já dada e pensada, uma história outra, até então impensada. Desse modo, o camelo seria aquele que diz sim ao não. O leão, o que diz não ao não e a criança a que diz sim ao sim.

Em Liubliblablá: mastigações de um camelo, busca-se alterar essa configuração do personagem camelo, atribuindo-lhe um gesto de insubmissão, próprio do leão, e de entrega ao devir, inerente ao “ver com olhos livres” da criança, para lembrarmos uma expressão de Oswald de Andrade.

O camelo, nessa nova configuração, pode ser traduzido como aquele que estuda uma determinada cultura, não para dela se tornar um especialista (seu animal de carga), gordo de erudição, mas para digeri-la, mastigá-la, triturá-la, torná-la leve, ágil e ativa, pronta a agenciar o salto do leão e o voo da criança.

Trata-se uma provocação à maneira dominante pela qual o saber contemporâneo vem sendo produzido e acessado no ambiente universitário e suas adjacências: o saber confundido com acumulação, mal digerida, de conhecimentos já codificados, e com a obsessão pela produtividade, lida a partir de seu cárter estritamente quantitativo ou a partir de modelos de qualidade previamente fixados.

Rasurando as fronteiras entre ensaio e poesia, o livro passeia, a partir da fala-mastigação do personagem camelo, por temas diversos da cultura brasileira e internacional contemporâneas: do samba à geopolítica global, das possibilidades micropolíticas do amor à psicopatia inscrita no capitalismo de consumo. Ao longo de tal passeio, procura-se, de muitos modos, liberar a vida onde ela se encontra aprisionada pelos códigos discursivos do senso comum e do bom senso.

Liubliblablá: mastigações de um camelo é, antes de tudo, um livro político, um livro que luta pelo direito de se pensar-escrever-viver uma vida mais lúdica e menos utilitarista, uma vida mais entrega à gratuidade do próprio viver e menos obediente a “um fazer sentido” a priori, tal como sugere a palavra nonsense que dá título ao livro: Liubliblablá.

O Centro Cultural José Octávio Guizzo fica na Rua 26 de Agosto, 453, entre as ruas Calógeras e a 14 de Julho.

Jornal Midiamax